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por
Sérgio Aníbal
Portugal é, entre as economias classificadas como "avançadas" pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), aquela que piores indicadores económicos deverá apresentar durante este ano.
As previsões publicadas ontem no relatório de Primavera pela entidade sedeada em Washington colocam Portugal como o país, entre os 29 mais ricos do mundo, em que a taxa de crescimento económico será menor este ano e, como se não bastasse, o segundo que irá registar maiores desequilíbrios tanto na balança externa como na orçamental. E mesmo ao nível da taxa de desemprego, indicador em que tradicionalmente a comparação internacional era mais favorável, a posição conseguida por Portugal em 2006 é já na metade da tabela com um valor mais elevado.
O FMI corrigiu em baixa a sua previsão de crescimento para Portugal em 2006 para 0,8%. Em Setembro do ano passado antecipava uma variação do PIB de 1,2% . Com a nova estimativa ontem apresentada, o FMI adopta o mesmo valor projectado pelo Banco de Portugal e assume uma expectativa mais pessimista do que o Governo, que continua a apostar num crescimento de 1,1% este ano. Para 2007, o FMI coloca a economia nacional a crescer a uma taxa de 1,5%, um valor que é bastante mais favorável que a projecção do Banco de Portugal (1%), mas que ainda assim não chega aos 1,8% que o Governo inscreveu no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC).
Portugal está situado entre os países do mundo para os quais o FMI tem expectativas mais baixas de crescimento. Entre os 29 mais avançados - que inclui os países da Europa ocidental, América do Norte e alguns dos mais desenvolvidos do continente asiático - Portugal é o último. Já em 2005, apenas a Itália tinha apresentado um crescimento mais baixo e, para 2007, o FMI antecipa que Portugal apenas supere neste grupo a Alemanha e a Itália.
Mesmo no resto do Mundo é difícil encontrar países com um crescimento económico mais fraco que Portugal. Confirmando as previsões recentemente efectuadas pela Economist Intelligence Unit, o FMI identifica apenas três países - a Guiné Equatorial, as Seichelles e o Zimbabué - onde o PIB terá uma variação inferior a 0,8% este ano.
Campeão dos défices gémeos
Portugal não só está a crescer lentamente, como lidera de forma clara na dimensão dos seus défices gémeos (desequilíbrio simultâneo nas contas externas e públicas). Com um défice da balança de transacções correntes de 9,2% do PIB e um défice orçamental de 4,6% do PIB em 2006, a economia nacional encontra poucos rivais, entre os países mais avançados do mundo, capazes de a superar em cada um destes dois indicadores.
O desequilíbrio externo português apenas será superado durante este ano pela Islândia. A ilha do norte da Europa deverá apresentar um défice da sua balança de transacções correntes de 16,6%.
Ao nível das finanças públicas, a concretizar-se o objectivo do Governo, Portugal conseguirá registar um défice público inferior ao Japão, um país que continua a assumir uma política orçamental muito expansionista.
Os défices gémeos dos EUA, considerados como uma das principais ameaças para a estabilidade da economia mundial, ficam, em percentagem do PIB, a alguma distância dos portugueses. O saldo negativo norte-americano será este ano de 6,4% na balança corrente e de 4,3% no orçamento das Administrações Públicas.
Com o fraco crescimento económico dos últimos anos, que ficará, de acordo com as previsões do FMI, abaixo da média europeia de 2002 a 2007, o desemprego português está cada vez mais próximo dos mais elevados entre os países avançados. Em 2006 poderá ser o nono mais elevado entre 29 países. O FMI antecipa, contudo, uma correcção de 7,7% este ano para 7,6% em 2007.
As dificuldades económicas que o país atravessa foram também identificadas na passada terça-feira pelo Banco de Portugal, no seu boletim económico de Primavera. A entidade liderada por Vítor Constâncio lembrou que a retoma iniciada em 2004 não foi sustentada e que ao contrário do que aconteceu em anteriores crises, as exportações e o investimento não estão a contribuir para a recuperação. A situação orçamental não corrigida e o endividamento de empresas e particulares também dificulta o desempenho da economia nacional. C
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