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Igreja incita população a manifestar-se contra concerto

 

Estão a ser distribuídos panfletos a convocar os madeirenses em geral de "qualquer religião ou credo" para se juntarem às populações dos concelhos da Ribeira Brava e Ponta do Sol e engrossarem a manifestação junto à entrada da Marina do Lugar do Baixo, pelas 23.00, uma hora antes do início do Festival de Música Madeira Paradise, agendado para sexta-feira.

As várias convocatórias apelam a sentimentos religiosos em prol do "respeito à palavra de Deus e aos Mandamentos da mesma" ,mas também indiciam um sinal de força quando se referem à necessidade de "mostrar" que "quando os madeirenses querem, a Fé é mais forte do que todos os divertimentos". Note- -se que o espectáculo recebeu o poio do Governo Regional, através da Secretaria do Turismo e da Câmara Municipal da Ponta do Sol.

No seio deste movimento contra a realização do evento encontra-se a Igreja Católica, mais precisamente o Bispo do Funchal. D. Teodoro de Faria, aproveitou a homilia de domingo para exortar os jovens a não participarem nesta discoteca ao ar livre no dia em que a comunidade religiosa celebra o Enterro do Senhor, comparando a iniciativa da organização a "um acto terrorista". Além disso, o bispo referiu-se ao negócio e ao lucro, "dinheiro de Judas", e pediu aos fiéis para transformarem a procissão da Sexta-feira Santa num acto de contrição pelo delito cometido. Mas há mais. Os panfletos acabam por seguir as instruções de uma petição de sacerdotes, que contou com a assinatura do Bispo do Funchal, para que o povo da Ponta do Sol demonstre a sua indignação tal como fez no passado. Um parágrafo que acaba por, indirectamente, incitar à violência tendo em conta os acontecimentos dos anos 70 naquela localidade, por motivos políticos e religiosos. Muitos se recordam do recurso a armas, nomeadamente no tempo em que a Flama - Frente de Libertação da Madeira defendia a independência da Madeira.

Os ânimos estão de tal forma exaltados que até a existência de uma escarpa nas imediações do recinto faz temer o pior. A Igreja pede manifestações pacíficas, mas teme- -se a possibilidade de confrontos.

A realização deste festival está agendada há sete meses e inclui-se na programação da MTV. Um dos comunicados distribuído por populares pede a Alberto João Jardim para "dar um murro na mesa" e terminar de vez com os eventos no Lugar de Baixo. Jardim está de férias na ilha do Porto Santo.


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