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A população da nova aldeia da Luz está a virar costas à terra natal por não ter lotes onde construir novas casas. Desde que foram trasladados para o aglomerado, nove jovens casais já abandonaram a localidade e há um décimo que está de partida. Além da falta de habitação, que levou a debandada de aproximadamente 30 pessoas, a população queixa-se que a economia local também está estagnada, porque o olival e a vinha ainda não rendem.
Cândido Nogueira, 33 anos, casado e com um filho de 18 meses, cresceu e viveu na velha Luz até casar. A mulher também residia na aldeia que ficou submersa pelas águas da barragem de Alqueva. Tudo fizeram para continuarem nas origens, procurando arranjar casa no aglomerado que Durão Barroso, então primeiro-ministro, inaugurou em 19 de Novembro de 2002. Mas acabaram por dar outro rumo à vida.
"Não somos daqueles que casam e vão viver com os pais", desabafa Cândido Nogueira ao DN, revelando que depois de muito procurar, acabou por encontrar casa em Reguengos de Monsaraz. "Não podíamos esperar mais, até porque ainda hoje não está nada projectado", diz, admitindo que se os lotes forem disponibilizados vai "fazer um esforço para voltar". O problema é que o filho vai crescer e fazer amigos e "se demorar muito, terei de ficar por aqui."
Argumento semelhante é apresentado por Dulce Mendonça, 22 anos e solteira, mas que já está a mobilar uma casa em Reguengos, onde trabalha. Também esta jovem tentou encontrar casa na Luz, mas não conseguiu. "Quando fizeram a nova aldeia disserem que faziam casas para os casais mais jovens e ainda estamos à espera", lamenta. "Estão a condenar a nossa terra", acrescenta. E hoje assegura que não quer voltar à terra, porque já se adaptou a outras paragens.
O presidente da Junta, Francisco Oliveira, conhece bem os relatos e não esconde a revolta, lamentando que "tudo" tenha sido prometido na fase das negociações e que agora "o povo esteja votado ao abandono". O autarca assume o desespero por ver que a Luz "não tem futuro" e reconhece que sem jovens "estamos condenados".
Francisco Oliveira já não sabe o que dizer. "Enquanto não passarem para a junta os lotes urbanos e rústicos que tínhamos na antiga aldeia, não há solução", explica. Aliás, até ele ainda não foi reinstalado, estando por construir a loja de electrodomésticos que possuía antes.
A Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas de Alqueva (EDIA) revela que há cerca de um mês pediu ao autarca que elaborasse um dossiê, "com os casos pendentes", segundo o porta-voz da empresa, Carlos Silva, admitindo que só depois do conhecer o teor do processo é que a EDIA vai estar em condições de fazer "alguma coisa".
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