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por
Luís Delgado
Jornalista
Não, não é João Paulo II ou Bento XVI. O novo papa da informação é José Sócrates, português, primeiro-ministro, líder do Partido Socialista, senhor de grande obstinação e determinação, e o mais completo spin doctor nacional, homem de efeitos mediáticos e dominador de todas as técnicas de comunicação.
No princípio alguns não perceberam. Quando usou o teleponto num comício pela primeira vez em Portugal, as opiniões não foram no sentido da inovação, mas da crítica por usar um sistema de apoio que já se utiliza há décadas em dezenas de países.
Azar, para os que não entenderam. Sócrates, ali, naquele lugar, e dominando aquele instrumento, estava a dar o sinal de que seria, um dia, o melhor manipular de efeitos televisivos, de frases de propaganda, de planos visualmente sedutores e de conhecimento profundo do que de melhor se pratica por esse mundo fora.
Hoje, um ano passado sobre o seu Governo, Sócrates corre como uma lebre, semana sim semana sim, anunciando, proclamando e mostrando o que vai ser o País daqui a uns anos. E consegue fazê-lo com convicção e, melhor do que tudo, faz com que todos acreditem no que está a anunciar, a dizer e a mostrar.
É mestre e senhor de uma grande técnica de comunicação, a mesma, rigorosamente, que começou na escola americana, passou pela Grã-Bretanha e é agora do domínio de vários países.
Nisso, reconheça-se, estamos nos primeiros lugares, porque ele sabe o que está a fazer, conhece os meios e conta com uma informação que só agora começa a ver os truques dessa técnica.
Vale a pena perguntar, contudo, se Sócrates tem algum guru americano ou inglês a trabalhar com ele, mesmo que discretamente, ou se foi apenas o resultado de uma aprendizagem de anos e a montagem perfeita de uma central de comunicação invisível, mas eficaz, certeira e extraordinariamente activa.
Hoje, como lá fora - basta para tanto acompahar Bush na CNN, ou Blair na Sky -, Sócrates usa o mesmo padrão de funcionamento que está há muitos anos testado nos EUA. Comunicar com apoio visual, criar fórmulas simples de reconhecimento dos programas - tipo Simplex -, elencar medidas práticas e que toquem a todos, e extinguir serviços inoperativos, obsoletos e fáceis de criticar.
Está mal feito? É só propaganda? Se a oposição continuar a pensar assim, nestes termos simplórios, comete o maior erro da sua vida e vai ficar afastada do poder durante anos e anos.
A forma como Sócrates actua, a simplicidade eficaz da sua mensagem e os meios que usa para a transmitir são componentes de um sistema moderno, muito bem organizado e que nunca teve paralelo em Portugal, mesmo com um comunicador nato como Guterres, ou um especialista em oratória como Santana.
Sócrates junta tudo isso ao melhor das escolas de comunicação, que explicam que a mensagem, para ser compreendida pela generalidade de um eleitorado, tem de ser simples, muito directa, com medidas e exemplos fáceis de decorar e com uma imagem fabricada para os órgãos de comunicação social.
Enquanto a oposição ainda lê longos discursos de papel, sem olhar os portugueses nos olhos e sem se centrar numa ideia, o chefe do Governo está décadas e décadas avançado, usufruindo das melhor técnicas de comunicação e indução positiva.
É mau? É um exemplo de falta de conteúdo? Outro erro de quem pensa assim. Ser simples na mensagem, criar um aparato para televisão e fotografia e simplificar a mensagem não significa, nem de longe nem de perto, falta de substância no que se quer dizer ou fazer passar para o exterior.
Sócrates está a correr os três mil metros, e os seus adversários ainda nem vestiram a camisola, não sabem qual a pista, e estão apenas preocupados com a cor do equipamento.
Esta diferença explica tudo, e vai ser mortal para a oposição. A menos que mude.
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