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Portugal tem H1, H3, H6, H7 e H9... mas não H5N1

por

Ângela Marques  

Adescoberta "não tem qualquer importância em termos veterinários", mas foi ontem suficientemente importante para ser o tema central da conferência de imprensa da Comissão de Acompanhamento da Gripe Aviária: foram detectados H1, H3, H6, H7 e H9, mas não H5N1 em Portugal. O director-geral de Veterinária, Agrela Pinheiro, desvalorizou "os achados", mas avançou: foram detectados cinco subtipos do vírus influenza A - o mesmo tipo a que pertence o letal H5N1 - em 12 patos e uma gaivota saudáveis.

Agrela Pinheiro explicou que estas aves são o reservatório natural destes tipos de vírus - que não degeneram no H5N1 e, por isso, não são perigosos para a saúde humana - e que o seu registo resulta de uma "probabilidade estatística". Com o nível de vigilância "no máximo" e um maior número de análises realizadas, estes "achados" eram "perfeitamente expectáveis", afirmou.

Mas para "minimizar os riscos" da entrada do H5N1 em Portugal através de patos selvagens, a DGV decretou a obrigatoriedade de serem confinados, até 10 de Abril, todos os patos destinados à caça. Agrela Pinheiro garantiu que a medida não surge como resposta à descoberta: "Com o fim da época de caça, pensámos que estas aves iam ser como um chamariz para os patos selvagens e não quisemos que isso acontecesse numa altura em que convém reduzir ao máximo as situações de risco." Fica apenas por explicar porque é que, tendo a época de caça terminado a 19 de Fevereiro, esta medida de prevenção só foi tomada na última segunda-feira, 27 de Março.

São abrangidas por esta decisão 19 explorações identificadas pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais em todo o País, com pelo menos 200 patos cada uma. Para já não há um prazo de duração desta medida, mas Agrela Pinheiro indicou que poderá estar em vigor até Outubro, quando abre a época de caça. Se os proprietários destas explorações não colaborarem com as autoridades, fechando os patos e impedindo que contactem com aves selvagens, verão os seus animais abatidos.

Análises triplicaram

Preocupado com a "diminuição do consumo de carne de aves sem fundamentação técnica ou científica para esse efeito", o director-geral assegurou que a vigilância da progressão do H5N1 "está ao máximo". A prová-lo está o número das análises realizadas no Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV) desde o início do ano: 3964. Entre Fevereiro (842) e Março (2318), o número de animais examinados quase triplicou. Na mesma conferência, Maria Inácia Correia de Sá, do LNIV, afirmou que o laboratório tem recebido "até gatos, cães e andorinhas, o que não se justifica".

Portugal pede ajuda à UE

Portugal já pediu à Comissão Europeia para apoiar os produtores que tenham de matar e armazenar aves suspeitas de terem gripe, que precisem fazer escoamento de stocks e para promover campanhas que expliquem os riscos da doença.

O pedido, não formal, foi feito no último Conselho Europeu de Ministros da Agricultura, realizado este mês, disse à Lusa o assessor do ministro da Agricultura, Mário Ribeiro. O porta-voz acrescentou que a proposta surgiu na sequência das solicitações que os Estados membros têm feito (ver texto em baixo), mas que a decisão da comissão só será conhecida a 20 de Abril.

Para fazer face a esta crise, o Ministério da Agricultura aprovou há um mês uma medida que permite aos avicultores adquirir cereais da Hungria para fazer rações para as aves com preços 20% mais baixos do que os preços de mercado.


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