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Descobrir que a Matemática "é gira e aplica-se no dia-a-dia"

 

"A matemática é uma disciplina complicada e às vezes aborrecida". É a definição de Rui Fonseca, 13 anos, aluno com nota dois a matemática. "Em anos anteriores tive boas notas, mas mudei de escola, estava num colégio interno. Agora vou para casa, não está lá a minha mãe, nem nada, e não me apetece estudar." Depois, vieram as faltas. "Até gosto de algumas coisas de matemática, outras acho que são muito difíceis para a minha cabeça. Sei que conseguia fazer melhor, mas não me apetece". Rui é um entre centenas de alunos que já conheceram o CAIXAmat, o camião que até Maio percorre 29 localidades do país. O distrito da Guarda foi um dos pontos de paragem. O projecto é da Caixa Geral de Depósitos e do Projecto Matemática Ensino (PmatE) da Universidade de Aveiro.

No camião, além de dez computadores e um ecrã gigante interactivo em que os alunos entram numa competição de matemática, há equipamentos de ampliação visual usados para observar insectos, uma forma de associar a ciência à matemática.

O objectivo de promover e criar o gosto pelas fracções, catetos e hipotenusas parece ter sido cumprido para a maior parte das crianças e jovens que por ali passam. Se a entrada é vista com expectativa e até alguma repulsa, a saída revela-se difícil tal é o entusiasmo dos mais novos.

Ana Paula Almeida, professora dos 28 alunos do 7.º C da Secundária Afonso de Albuquerque, na Guarda, entende que a experiência da matemática divertida, já é conhecida por esta turma, é "muito importante para eles, porque entram para as aulas já a pensar que é tudo difícil e depois verificam que até é giro e que se aplica no dia-a--dia". Mas o sucesso da aula depende também do docente: "Eles gostaram de mim e tento motivá-los, fazemos exercícios engraçados e outros mais difíceis. Além disso eles vêm muito bem preparados dos anos anteriores".

Para Ana Almeida, de 16 anos, "a experiência até foi positiva, mas a matemática é um horror. As contas são difíceis, não consigo entender e não gosto." Com nota cinco (numa escala de 0 a 20), imputa parte da responsabilidade aos métodos de ensino e aos docentes: "Se tivermos um mau professor, de certeza que não gostamos mesmo". Micaela Marques bem faz os possíveis, mas ainda não conseguiu passar a turma do 10.º C do "razoável" ao "bom". A docente acredita que o CAIXAmat possa dar frutos no gosto pela disciplina, mas garante que o principal obstáculo é a opinião pública. "A sociedade contribui negativamente para a opinião que eles têm da disciplina. Na comunicação social, a matemática aparece como a disciplina difícil. O insucesso é um facto, mas isto também é um ciclo vicioso".

Hoje, o camião está estacionado na Sociedade Cooperativa de Ensino Alvito Didalvi, Braga, segue-se o Porto (18 e 19 de Abril), Aveiro (24 de Abril e 2, 3 e 4 de Maio), Viseu (26 de Abril) e Vouzela (27 de Abril). Sempre entre as 08.00 e as 18.00.


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