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Um milhão de euros anuais para combater a cegueira

por

Filomena Naves

Bruxelas  

Nasce rodeado de prestígio e cheio de promessas para a ciência e para o combate à cegueira no mundo. É o prémio António Champalimaud que Leonor Beleza, a presidente da Fundação Champalimaud, veio ontem lançar no coração da União Europeia. Será atribuído pela primeira vez em 2007, para distinguir uma equipa, ou uma instituição, que tenha desenvolvido trabalho no terreno no combate à cegueira e às doenças da visão, em países em desenvolvimento. As candidaturas abrem em Junho.

Em 2008, o prémio Champalimaud distinguirá uma equipa, um laboratório ou uma instituição que tenha realizado uma descoberta ou um avanço significativo na ciência da visão, no sentido mais amplo, que pode englobar a neurologia da visão ou os seus mecanismos propriamente ditos, como explicou Leonor Beleza. O prémio alternará assim, de ano para ano, entre uma e outra natureza: uma mais social, ligada ao desenvolvimento humano, e outra de carácter científico puro e duro.

Entre os 11 membros que vão constituir o júri, há dois prémios Nobel e nomes como António Guterres, Jacques Delors, ex-presidente da Comissão europeia, ou Mary Robinson, ex-presidente da Irlanda (ver caixa). Dotado anualmente com um milhão de euros, este será o maior prémio internacional na área da biomedicina, só comparável ao Nobel, que atribui todos os anos um milhão de dólares em cada uma das suas categorias.

No 13.º andar do edifício da Comissão Europeia, o comissário para a Ciência, Janez Potocnick, que foi o anfitrião para o anúncio internacional do novo galardão, saudou esta iniciativa da fundação Champalimaud enquanto "exemplo típico" de como as organizações europeias sem fins lucrativos podem contribuir para o aumento do investimento global da UE em investigação e desenvolvimento.

Associando-se ao lançamento deste prémio, a Comissão dá sobretudo um sinal claro de que reconhece e encoraja, através da Fundação Champalimaud, o contributo que estas instituições podem ter para a vida da UE.Tanto mais que, no entender do comissário Potocnick, a própria UE "não tem prestado suficiente atenção" à participação que a iniciativa privada na área científica pode ter na causa da ciência europeia, para ultrapassar o que ela tem de mais frágil: orçamento e, portanto, competitividade, face a países como os Estados Unidos e o Japão.

Leonor Beleza sublinhou, por seu turno, que a Fundação pretende com este novo galardão fazer a diferença e "elevar o nível da investigação internacional na área da visão" para um novo patamar. Este é, porém, apenas o primeiro cartão de visita da Fundação Champalimaud.

No horizonte de três anos e depois de ter escolhido o sítio, Leonor Beleza conta ter pronto a arrancar em Portugal um centro internacional de excelência em investigação clínica na área do cancro, como anunciou aos jornalistas em Bruxelas. Com esse centro, a presidende da fundação pretende também inovar, no sentido de instituir na sua base de funcionamento um diálogo, "que não é fácil", como sublinhou, entre investigação básica e investigação clínica.


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