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Hamas lança apelo ao diálogo com comunidade internacional

 

O primeiro-ministro palestiniano designado, Ismaïl Haniyeh, apelou ontem ao diálogo com a comunidade internacional para resolver o conflito no Médio Oriente, na apresentação do seu programa de governo ao Conselho Legislativo.

Os deputados palestinianos reunidos em Ramallah seguiram o discurso de Haniyeh, que falava em Gaza, através de videoconferência, uma vez que Israel impede as movimentações de líderes do Hamas entre a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, por motivos de segurança.

Haniyeh, cujo Governo é composto por 24 ministros e tem aprovação garantida devido à maioria do Hamas no Parlamento (74 deputados), exortou os países que doam apoio financeiro à Autoridade Palestiniana (AP) a não "punir os palestinianos" pela sua escolha nas legislativas de 25 de Janeiro.

Israel reagiu de imediato ao discurso, acusando o Hamas de não reconhecer os acordos já assinados entre a AP e Israel e de não responder às exigências da comunidade internacional: reconhecimento do direito à existência do Estado hebreu.

No seu apelo ao diálogo, Haniyeh precisou que o seu Governo está pronto para falar com o Quarteto, com o objectivo de pôr fim ao conflito israelo-palestiniano e instaurar a calma na região. O Quarteto (EUA, UE, ONU e Rússia) é autor do Roteiro para a Paz, plano lançado em 2003 por George Bush e que prevê a criação de um Estado palestiniano.

Os EUA, através do porta-voz do Departamento de Estado, recusaram os apelos ao diálogo, reafirmando que este está condicionado ao reconhecimento de Israel e, como tal, "a bola está no campo do Hamas".

A UE indicou que "não vai virar as costas ao povo palestiniano", mas que, para isso, os seus dirigentes devem "fazer as escolhas certas", pela voz da comissária europeia para as relações exteriores. Benita Ferrero- -Waldner confirmou ainda a sua participação na cimeira da Liga Árabe, hoje e amanhã, em Cartum.

Na cimeira, os palestinianos estão representados pelo líder da AP, Mahmud Abbas, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros cessante, Nasser al-Kidwa, uma vez que a investidura do Governo do Hamas foi adiada para hoje. A votação, mera formalidade, não aconteceu ontem porque grande número de deputados da Fatah pediu para usar da palavra. A ter acontecido, a deslocação a Cartum seria a primeira de um membro do Hamas enquanto membro do Governo palestiniano. PV


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