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Emigrantes expulsos do Canadá podem afectar economia

 

Deverá chegar hoje ao aeroporto da Portela mais uma leva de emigrantes portugueses deportados do Canadá. Este ano, já foram repatriados mais de 150. Fala-se em cerca de 15 mil emigrantes ilegais mas ninguém parece saber ao certo quantos serão repatriados, neste endurecimento da política de imigração do Canadá.

Ana Bailão, emigrante em Toronto e presidente da Federação de Empresários Luso-Canadianos, revelou-se preocupada com estas deportações em massa, sublinhando que a comunidade portuguesa está a passar por um momento de "tristeza, insegurança e choque". A líder da comunidade portuguesa em Toronto adiantou ainda que já foram feitos pedidos de audiência ao ministro da Cidadania e Imigração, no sentido de o sensibilizar para o drama que vivem estes emigrantes, mas que até ao momento não obtiveram qualquer resposta.

Sobre uma eventual posição desfavorável do governo canadiano a qualquer processo de legalização dos emigrantes ilegais no país, Ana Bailão é cautelosa: "Não nos podemos precipitar e dizer que este ministro não tem vontade política para solucionar o problema da imigração ilegal, e nomeadamente a questão dos imigrantes portugueses. É um governo novo, que tomou posse há um mês e, por isso, temos de ter cautela e acreditar que tudo poderá estar em discussão."

Discutir este e outros assuntos relacionados com uma política de imigração que não favorece os emigrantes é justamente aquilo que Ana Bailão e outros representantes da comunidade lusa pretendem. De resto, a presidente da Federação de Empresários Luso -Canadianos explicou que é a própria economia do país que está em causa: "Este endurecimento não leva em linha de conta a necessidade do país em termos de construção civil, por exemplo. Os nossos associados, empresários da construção civil, estão muito preocupados com este expatriamento em massa. Em breve conhecerão graves problemas de mão-de-obra, com o consequente aumento do preço do imobiliário e restantes desequilíbrios."

Esta questão, porém, não tem exclusivamente que ver com a comunidade portuguesa: "É importante que isso fique claro", diz ao DN Ana Bailão: "Trata-se de uma problemática que engloba várias comunidades. Para dar uma ideia, no ano passado houve 11 mil pessoas deportadas e só 409 eram portuguesas".

Seja como for, e enquanto não se consegue a audiência com o ministro, os emigrantes ilegais temem pelo futuro. Alguns vivem há vários anos no país, outros têm filhos que não vão poder, sequer, terminar o ano escolar. "O período de tempo que lhes é dado para sair do país é, por vezes, de menos de uma semana." Ana Bailão lastima esta pressa e acredita que esta "perseguição à ilegalidade só vai fazer aumentar a precaridade e a vulnerabilidade destas pessoas".


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