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União Europeia procura uma nova ambição

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Fernando de Sousa e Luís Naves, em Bruxelas  

Acimeira europeia da Primavera, que hoje termina em Bruxelas, deverá deixar claro o empenho dos dirigentes comunitários em passarem aos actos, no esforço para dinamizarem a economia, promoverem o crescimento e criarem empregos.

Ao fim dos seis anos em que a Estratégia de Lisboa tem estado em vigor, de forma desapontadora, os dirigentes europeus estão cada vez mais pressionados pela opinião pública para mostrarem resultados na dinamização económica.

A cimeira está a passar a Estratégia em revista e procura obter compromissos dos Estados membros de que cada um fará os possíveis para que os objectivos sejam alcançados.

A presidência austríaca da UE tem-se mostrado empenhada em que sejam aprovados objectivos quantificáveis para melhor controlo dos progressos. O conceito central em todo este debate tem sido a "ambição", no meio da constatação de que o nível de empenhamento de cada Estado membro é diversificado.

A Áustria defende a criação de dez milhões de empregos até 2010. O chanceler Wolfgang Schuessel também recordou que, se todos os Estados membros investirem 3% do produto interno bruto (PIB) em investigação e desenvolvimento até 2010, isso representará cem mil milhões de euros, com um impacto positivo na competitividade.

Antes da cimeira, Schuessel mostrou-se "optimista" quanto ao grau de ambição dos seus colegas, embora compreenda, certamente, a existência de, pelo menos, algumas dúvidas por parte da opinião pública. Schuessel considerou, após uma reunião prévia com parceiros sociais europeus, que "todos estão interessados em produzir crescimento e empregos". No entanto, deixou claro que "os políticos não podem criar empregos". Daí o empenho em prometer as melhores condições possíveis aos agentes económicos para que façam esse trabalho.

Porém, o debate tinha algumas sombras negras. Embora a Estratégia de Lisboa implique a abertura e maior integração do mercado, com o aumento da circulação de investimentos, vários países têm mostrado reservas a que certas empresas mais sensíveis sejam adquiridas por grupos estrangeiros. Embora a posição global seja contra este tipo de "nacionalismo económico", considerada negativa para o desenvolvimento, quando são observados casos especiais, surgem as dificuldades.

Por exemplo, o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, estava no centro de todas as atenções, perante as dificuldades que o grupo Enel encontrou para adquirir a francesa Suez. Havia alguma expectativa sobre o ambiente quando Berlusconi se encontrasse com o Presidente francês, Jacques Chirac. À entrada para a cimeira, Berlusconi tinha declarado: "Não tenho nada de novo para lhe dizer." Porém, está em plena campanha eleitoral e poderá aproveitar qualquer oportunidade para realçar a sua visibilidade. Por isso, a expectativa tende a manter-se até ao final da cimeira, hoje à hora do almoço.


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