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Director de Informação
da SIC
1 - Dos dois ou três congressos de jornalistas em que participei retenho uma frase, se não me engano, de Fernando Alves, que ao fechar uma intervenção sobre o estado dos media e os problemas da classe, disse: "Qualquer dia vem aí um terramoto e apanha-nos todos a dormir." Logo a seguir, lembro-me de que os trabalhos foram dados por encerrados, pois estava na hora do almoço. A sala da Gulbenkian voltou a encher-se da parte da tarde para continuar a reflexão.
Foi há 20 anos e discutia-se, tal como ainda hoje, o abstracto e o óbvio: a ética e a estética, a independência e a liberdade de expressão, o problema dos estagiários desamparados e explorados, os efeitos da concentração dos meios em grandes grupos e, finalmente, a ameaça, sempre presente, de "meter os jornalistas na ordem". Não se discutiam os malefícios da televisão privada porque na altura só havia uma e pública.
Eram poucas as mentes que tentavam desalinhar o discurso. As questões sindicais apareciam sempre misturadas com as questões deontológicas e qualquer tentativa para discutir as vantagens de uma eventual separação, através de organismos autónomos, era vista como algo amaldiçoado.
O jornalismo perdia assim a oportunidade de caminhar no sentido da auto-regulação. A recém-criada Entidade Reguladora para a Comunicação Social não deixa de ser uma derrota dos próprios jornalistas, que, pelos vistos, acordaram tarde.
2 - Lembram-se da tragédia de Alca-fache? Entre a notícia dada por Raul Durão na RTP e as primeiras imagens do acidente passaram longas horas. Na altura não havia concorrência nem videofones.
Quando a SIC arrancou, muitos anos depois, o correspondente da Guarda tinha que subir aos emissores, instalados na serra da Estrela, para enviar uma reportagem. Hoje não precisa de sair do escritório. Ainda não há muitos anos, a publicação de uma fotografia exigia um trabalho laboratorial moroso e apurado. Hoje o cidadão-repórter pode registar no seu telemóvel as imagens de um acontecimento relevante e divulgá- -las no momento em qualquer site.
Dar notícias era um exclusivo de jornalistas. Hoje qualquer pessoa pode pu- blicar opinião, fazer rádio ou televisão pela Internet. A grande questão que se coloca aos leitores e aos telespectadores é como distinguir a foto da fotomontagem, o facto real da notícia inventada.
O acesso quase generalizado às novas tecnologias e a interactividade entre os novos meios e os novos públicos obrigam os jornalistas a repensar a profissão.
Antes que alguém o faça por eles.
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