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Leonor Figueiredo Leonardo Negrão
OCentro Cultural de Belém (CCB) conquistou uma parceria institucional para a sustentabilidade da Festa da Música: a Câmara Municipal de Lisboa (CML), que concordou em apoiar com cem mil euros cada uma das próximas três edições do evento cultural (até 2008), prometendo ainda uma relação mais estreita com aquela instituição.
O orçamento previsto inicialmente para a Festa, que este ano entra na sua sétima edição, era de um milhão de euros. Mas, como disse ontem em conferência de imprensa o novo presidente do conselho de administração do CCB, Mega Ferreira, "teve de haver reajustamentos de acordo com a nossa disponibilidade financeira, que é de 850 mil euros. Sem prejuízo da qualidade, foi possível reduzir um pouco, com um formato mais adequado, sem consequências negativas para a Festa, com a concentração dos concertos a fazer-se na sexta, sábado e domingo, de 21 a 23 de Abril, em vez dos quatro dias da edição anterior".
O desafio de Mega Ferreira foi muito bem aceite pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carmona Rodrigues, que ontem, na conferência, salientou ser "uma obrigação da autarquia aderir ao projecto que vai contribuir para a valorização da actividade cultural em Lisboa", indo ao encontro da sua ideia de "casar" a cultura com o turismo na cidade.
O facto de a última edição da Festa da Música ter conseguido atrair 62 mil pessoas ao CCB é, para Carmona Rodrigues, "motivo para a nossa atenção e apoio, que nos leva a estar empenhados em várias frentes".
O desafio lançado pelo CCB vai ao encontro dos objectivos de Carmona Rodrigues já que, salienta "estamos cada vez mais convictos de que a cultura tem de estar na primeira linha da vida da cidade". Disse também que a Festa da Música faz parte dos pacotes turístico que as agências põem à venda e que é uma mais-valia para a cidade de Lisboa.
Aproveitando a ocasião, o presidente da Câmara Municipal de Lisboa revelou ainda que a autarquia vai passar a apresentar a programação plurianual das várias iniciativas culturais e realçou o "espírito de parceria" que o move para "projectos conjuntos".
O acordo entre o CCB e a CML, que só será celebrado dentro de dias, embora as intenções estejam já negociadas, "vai abrir as portas", nas palavras de Mega Ferreira, "para encontrar outros parceiros para os próximos anos, um passo importante para a consolidação financeira".
Harmonia das Nações
René Martin, criador da Folle Journée em Nantes, a "mãe" da festa da música em vários países, e com contrato até 2010, garantiu que "não se trata de fazer um copy/paste da Folle Journée de Nantes para Lisboa, embora se trate da mesma filosofia". "Este ano, em Lisboa, tem de ser uma operação musical portuguesa."
A sua intenção continua a ser a mesma desde o início: "fazer quebrar os muros da música clássica para a tornar acessível a todos", lembrou.
A sua capacidade de mobilização de intérpretes a nível europeu é grande. Em relação à Festa da Música, e porque sabia das dificuldades financeiras, René Martin conseguiu de vários artistas "uma redução de cachets de 30 a 40 por cento" para virem a Lisboa.
"Fico muito contente que haja parceiros que garantam a Festa da Música por mais três anos. Isso quer dizer que poderei começar a pensar na edição dos anos seguintes", frisou.
Esta Festa da Música será subordinada ao tema 'A Harmonia das Nações', para abarcar as obras barrocas europeias (ver página ao lado). Haverá muitos intérpretes portugueses, destacando René Martin a qualidade da nova geração que, entretanto, finalizou estudos em várias escolas no estrangeiro.
Este ano haverá pela primeira vez um Cartão Amigo CCB, com várias facilidades, revelou a administradora do CCB Margarida Veiga, para que "possamos fidelizar novos públicos e de várias idades". O slogan "Venha Viver o CCB" quer atrair reformados, estudantes e famílias.
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