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65% dos objectos perdidos em Lisboa são reclamados nos Olivais

por

Susana Leitão

Secção internacional

Um achado com sete anos  

A Secção de Achados da PSP de Lisboa recebe diariamente dezenas de objectos perdidos. Os artigos são esquecidos nos autocarros, nos comboios, no metro, nas estações dos correios, nos centros comerciais ou simplesmente na rua. As prateleiras da cave do lote 180 da Praça Cidade Salazar, nos Olivais, tornam-se pequenas e estreitas para tanto esquecimento. Ainda assim, "cerca de 65% dos objectos são reclamados", garante ao Diário de Notícias o chefe Araújo, 'coordenador' daquele departamento policial.

No ranking dos mais esquecidos, estão os guarda-chuvas - há-os às centenas -, óculos, chaves e documentos. Mas naquela pequena secção encontra-se um pouco de tudo, desde os ténis de marca novos às bicicletas todo-o-terreno, passando pelos carrinhos de bebé e telemóveis. A regra diz que todos os artigos têm de estar no mínimo um ano nas prateleiras até que possam ir a leilão (ver caixa). "As chaves e os documentos não vão a leilão", frisou o responsável, adiantando que no que toca a documentos, aquela secção tenta contactar as pessoas. Caso não seja possível "enviamos os documentos para a entidade emissora".

Para quem ali entra pela primeira vez a sensação é de desordem. No entanto, "tudo isto funciona como uma linha de montagem. Quando um objecto é aqui entregue é de imediato referenciado, catalogado e inserido numa base de dados. Por último é colocado na prateleira correspondente ao mês em que deu entrada. Quando alguém o vem reclamar basta ir ao computador", explica o chefe Araújo. Por telefone também se dão informações: "Recebemos mais de 300 chamadas por dia", frisa.

A cave divide-se em duas secções distintas: Uma dos achados nacionais e outra dos internacionais. Ou seja, extravios de turistas, que "depois são entregues às respectivas embaixadas, pois temos um protocolo com algumas delas", disse o responsável. A Esquadra do Turismo é outro dos departamentos policiais em contacto permanente com a Secção de Achados. Já a Divisão de Investigação Criminal da PSP recorre aos Achados sempre que tem registo de um artigo dado como furtado. "Às vezes quem rouba não tem tempo de fugir e abandona o objecto na rua, que depois dá aqui entrada como sendo perdido", sublinha o chefe Araújo.

No meio de tudo isto só é pena "esta secção não estar mais perto do centro de Lisboa. Fica muito distante, os transportes não são fáceis e as pessoas queixam-se muito por isso", desabafa o chefe Araújo.

A Pantufa é um 'achado' que vive naquele departamento há já sete anos. "Estava à nossa porta abandonada e nós cuidamos dela", conta o responsável. Hoje é ela quem dá as boas-vindas aos muitos donos esquecidos, uma espécie de mascote.


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