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As estradas portuguesas fizeram 1094 mortos em 2005, menos 42 do que em 2004, o que significa um decréscimo de 3,7% do número de vítimas mortais em acidentes rodoviários. Para a Associação de Cidadãos Automobilizados (ACA), estes dados - divulgados ontem pela Direcção-geral de Viação - vêm apontar o dedo ao "carácter anómalo dos resultados de 2004, que demonstravam uma redução drástica de 17,1% do número de mortos na estrada, um valor que não se justificava".
Segundo Manuel João Ramos, da ACA, o balanço de 2005 "repõe a verdade, apontando para uma redução sustentada". Só que levanta uma "legítima suspeita": "A descida drástica das mortes em 2004 não terá acontecido por não ter havido verificação dos óbitos à entrada do hospital nesse ano?" É que o número de feridos graves até era superior ao normal. E, para o responsável, "pode ter acontecido que alguns desses tenham acabado por morrer" e o seu óbito não tenha sido registado. "Era importante saber porque é que a verificação não aconteceu", afirma.
O número de acidentes com vítimas em Portugal "também não tem diminuído assim tanto", diz. Segundo o documento, em 2005 ocorreram 37 066, menos 1864 do que em 2004. Manuel João Ramos afirma que não houve uma política de prevenção capaz de reduzir o número de mortos: "O que acontece é que os carros são melhores e protegem melhor as pessoas."
A maior consciência dos portugueses e a crise económica - "que torna a gasolina mais cara" - são, para o responsável, causas mais prováveis para a descida dos últimos anos.
O DN tentou contactar o Ministério da Administração Interna para uma reacção mas, até à hora de fecho desta edição, tal não foi possível.
Segundo a DGV, houve um decréscimo do número de mortos nas auto-estradas (menos 16), nos itinerários principais e complementares (menos 20) e nas estradas municipais (menos 16). Foi fora das localidades que as vítimas mortais atingiram valores mais elevados: foram 56,9% do total.
Cerca de 17,2% do total de mortos são peões, sendo 60,1% destes vítimas de acidentes ocorridos dentro das localidades. Os condutores de veículos de duas rodas representam 27,4% dos mortos. Os condutores e passageiros de veículos ligeiros e pesados são 49,7% e 2,7% do total.
Segundo a DGV, as diferenças mais significativas dizem respeito à redução do número de mortos entre os peões (menos 16 do que em 2004) e os condutores e passageiros de ciclomotores (menos 13) e veículos ligeiros (menos 21). Os grupos dos 20-24 e 25-29 anos apresentaram a maior percentagem de mortos em 2005 (12,8% e 9,6% do total) devido, sobretudo, aos ocupantes de veículos ligeiros e motociclos, que representaram mais de 80% das vítimas mortais entre os 20 e os 29 anos.
Nos grupo dos maiores de 65 anos observaram-se igualmente valores bastante elevados: 17,8% do total de mortos. Destas vítimas, 39% eram peões.
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