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Já desde o tempo das cavernas que os homens preferem as louras

por

Sofia Jesus  

A ideia de que os homens preferem as louras poderá ter 11 mil anos. Segundo um novo estudo científico, a história remonta ao tempo das cavernas, numa altura em que a escassez de homens obrigou as mulheres do Norte da Europa a procurar conquistá-los... distinguindo-se das rivais. Na época, os olhos azuis e cabelo claro ditaram a evolução, mas hoje, milénios depois, poderão estar mesmo em vias de extinção.

A ser publicada esta semana no Evolution and Human Behavior, a investigação liderada por Peter Frost defende que os primeiros cabelos louros no Norte do continente europeu surgiram na sequência da escassez de alimentos, há quase 11 mil anos. Na época, o sustento dos humanos provinha sobretudo das manadas de mamutes, renas e bisontes, cuja caça implicava longas e perigosas viagens, que resultavam na morte de muitos homens. Para trás ficavam elas - num número muito superior ao dos machos sobreviventes... O que, diz o antropólogo canadiano, "aumentou as pressões sobre a selecção sexual das mulheres europeias".

Segundo o novo estudo, citado ontem pelo Times, a cor clara de algumas cabeleiras - que começou por ser uma mutação rara - tornou-se então popular entre os homens, que as passaram a preferir na escolha das parceiras. Resultado: o número de pessoas com cabelo louro aumentou de modo drástico.

Para Peter Frost, o facto de o gene do cabelo louro - MC1R - ter pelo menos sete variantes na Europa e contrariar a tendência do resto do mundo explica-se graças aos modos de recolha de alimentos, no final da chamada Idade do Gelo. É que, enquanto na Europa o recuo dos gelos deixou um solo fértil para os animais pastarem, mas sem plantas comestíveis para os humanos, o mesmo não se passava em África: aqui, os homens dependiam menos da caça e as próprias mulheres recolhiam frutos para comer.

A corroborar esta teoria - apoiada, aliás, pela University of St. Andrews - está uma análise científica dos genes do Norte da Europa, realizada por três universidades japonesas. Neste caso, os investigadores conseguiram isolar a data da mutação genética que resultou no cabelo louro: há precisamente 11 mil anos.

Mas se a (discutível) história de os homens preferirem as louras ganha agora raízes profundas, elas correm o risco de extinção. De acordo com um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), dentro de 200 anos deixará de haver pessoas com cabelo louro - leia-se: naturalmente louro. Isto porque são muito poucos os que carregam consigo o gene que tanto parece fascinar os homens. A OMS vai mais longe e arrisca uma data para o juízo final: o último ser humano louro deverá nascer na Finlândia, algures em 2202. Resta saber o que nos reserva depois a evolução das espécies...


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