Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


opiniao

O fim do escândalo

por

Jornalista pedro.roloduarte@gmail.com

Pedro Rolo Duarte  

Há uns bons 15 anos, o então ministro Miguel Cadilhe fez uma mudança de casa utilizando serviços do estado e aproveitou uma alteração legislativa para pagar um valor de sisa inferior ao que seria devido numa transacção imobiliária. O jornal O Independente, à época fresco e vigoroso, dirigido por Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso, denunciou o caso, transformou-o em assunto nacional, e o ministro foi para casa. Era o começo de uma época marcada pela palavra "escândalo". Os portugueses acordavam, atónitos, num país cheio de "escândalos" - corrupção, vigarice, abuso de poder, tráfico de influências, estava descoberta a razão pela qual havia pessoas que se "interessavam" pela política: para "se servirem". Nasceu aí, também, a frase "eles são todos iguais".

Os anos passaram. Como sucede com tudo o que se repete incessantemente, a palavra "escândalo" cansou Portugal - e passou a haver "casos", "investigações", "suspeitas" e outras designações mais amenas. Habituámo-nos de tal forma à ideia de que "não há almoços grátis" que já pouco ou nada nos espanta. Amolecemos com os "escândalos" à frente do nariz, e dedicamo-nos a debater generalidades: a justiça, o aborto, a saúde, a educação. O "estado de".

Mas a verdade é que, além da indiferença nacional entretanto tornada "modo de estar", nada mudou. Os "escândalos" continuam aí. No fim-de-semana, o Expresso revelou o que se passa no metro do Porto: gestores que recebem 650 mil euros de prémios numa empresa que deu sempre prejuízo e é considerada um desastre financeiro, atrasos nas obras, multiplicação orçamental. Um verdadeiro escândalo. Com nomes de pessoas, responsáveis, causas e consequências. Pois bem: passaram quatro dias e nada aconteceu a nenhuma das figuras envolvidas. Há 15 anos, o escândalo que a notícia revela teria feito cair administradores, autarcas, talvez até chegasse ao Governo. Nos dias que correm, não acontece nada.

Eu já desconfiava, mas agora tenho a certeza: o escândalo, tal e qual o conhecemos, chegou ao fim. Agora vivemos na normalidade democrática. Tão normal e tão democrática que somos realmente todos iguais. Impunes. E a fazer pela vida. Cada um como pode, claro...


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Siga-nos em
Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Quem tem mais culpas na má época do Sporting?

José Eduardo Bettencourt
Paulo Bento
Carlos Carvalhal
Pedro Barbosa
Sá Pinto
Os jogadores
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Inscreva-se

Inscreva-se

Cartaz

ESPECIAL ELVIS

ESPECIAL ELVIS




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos