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"Tenho a certeza de que os EUA não pretendem manter um gulag permanente em Guantánamo", afirmou ontem o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw, num momento em que o Governo de Londres tem sido pressionado para apelar ao encerramento da prisão da base americana em Cuba. As declarações de Straw surgiram no dia em que o Daily Telegraph revelou a existência de contactos entre detidos de Guantánamo e a célula terrorista responsável pelos atentados de 7 de Julho, que mataram 56 pessoas nos transportes públicos londrinos.
"Compreendo a preocupação manifestada no Reino Unido, Europa e EUA sobre Guantánamo, mas é preciso ver o outro lado, que é o 11 de Setembro [de 2001]", disse Straw, sublinhando que os atentados "não foram uma invenção da CIA". O ministro, que se encontra no Iraque para participar nas negociações para a formação do novo Governo de Bagdade, insistiu que o encerramento da prisão é um assunto interno, que deve ser decidido pelos EUA.
Recordando que "muitos reclusos já foram libertados ou julgados", Straw sublinhou que o grande desafio da Administração Bush reside em saber "o que fazer" com os 500 que ainda se encontram no centro de detenção, que começou a receber os suspeitos de terrorismo em 2002, na sequência da guerra ao terrorismo lançada após o 11 de Setembro.
Na semana passada, um relatório da ONU exigiu o encerramento do centro de detenção de Guantánamo, denunciando os abusos a prisioneiros e o facto de estarem detidos há quatro anos sem julgamento. O ministro britânico para a Irlanda do Norte, Peter Hain, apoiou as conclusões da comissão da ONU, enquanto o primeiro-ministro Tony Blair se limitou a considerar Guantánamo como uma "anomalia" com a qual Washington será forçada a lidar "mais tarde ou mais cedo".
Responsáveis militares americanos afirmaram ao Daily Telegraph que três detidos de Guantánamo conheciam os terroristas responsáveis pelos atentados de 7 de Julho. Os homens, que apresentaram um pedido de libertação no Supremo Tribunal de Londres, viveram ou trabalharam no Reino Unido antes de serem detidos no Afeganistão em 2001. Na semana passada, os reclusos foram autorizados a solicitar um mandado judicial que permita a Straw intervir junto de Washington e pedir a sua libertação. O pedido será examinado em meados de Março.
Um dos responsáveis de Guantánamo revelou: "Após o 7 de Julho, recebemos um pedido dos serviços secretos britânicos para investigarmos se estas pessoas tinham algumas ligação aos terroristas de Londres." Após vários interrogatórios, os militares americanos "transmitiram as informações obtidas dessa forma às autoridades britânicas", declarou o general Jay Hood, que dirige Guantánamo.
O Supremo Tribunal dos EUA adiou para Março a avaliação de um caso que poderá invalidar dezenas de queixas apresentadas por prisioneiros de Guantánamo. A nova lei aprovada em Dezembro para evitar os abusos e torturas a prisioneiros contém um artigo que limita a possibilidade de os reclusos recorrerem aos tribunais civis americanos. O referido artigo prevê que os "combatentes inimigos" devem passar por um julgamento militar antes de poderem contestar a sua detenção.
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