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No actual clima de braço de ferro entre ministério e docentes, o anúncio não podia vir mais a propósito. No mesmo dia em que os professores iniciaram uma semana de greve às aulas de substituição no básico, o Governo anunciou que que essas mesmas aulas vão passar também a ser obrigatórias... no ensino secundário. A medida, destinada a preencher os "furos" dos estudantes, arranca já no próximo ano lectivo.
Segundo anunciou José Sócrates, que ontem visitou a escola básica do 2.º e 3.º ciclos de Alapraia, no Estoril -para assinalar um ano sobre a vitória do PS nas legislativas -, as aulas de substituição "vão ser estendidas também ao secundário" para "combater o insucesso escolar".
Como explicou a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues - de visita ao mesmo estabelecimento de ensino - o regime já era aplicado em "muitas escolas secundárias", mas passará a ser obrigatório "no próximo ano lectivo". A decisão, assegura, vem em resposta ao pedido de "pais, escolas e alunos".
Recorde-se que o despacho publicado em Agosto pela tutela - e que dá o mote à contestação dos docentes - veio tornar obrigatórias as aulas de substituição e outro tipo de actividades sempre que um docente falta. A medida, que põe fim aos chamados "furos" e obriga os professores a passar mais tempo nas escolas, destina-se aos alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico. O diploma já aludia a essa ocupação plena dos tempos escolares também no ensino secundário, mas apenas de forma opcional. Para o ano, e segundo o anúncio de ontem, vai mesmo ser obrigatória. O que promete alimentar a polémica entre os docentes.
No dia em que os professores recorreram à greve às actividades não lectivas, José Sócrates escolheu o estabelecimento de ensino de Alapraia como um exemplo de que as orientações do Governo podem ser aplicadas. Nesta "escola-modelo" funcionam laboratórios de Matemática, aulas de Português para estrangeiros e vários clubes temáticos.
No agrupamento, todas as escolas do 1.º ciclo funcionam com horário alargado até às 17.30 - o que só acontece em 45% das instituições. Mesmo assim, o primeiro-ministro recusou vê-la como uma "excepção".
Quanto à paralisação desta semana, convocada pela Federação Nacional de Professores (Fenprof), Sócrates criticou: "A greve é um direito que não está em causa, mas esta não tem razão de ser. Lamento que os sindicatos se coloquem na posição conservadora de quem não quer mudar nada." *Com Lusa
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