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Um ano após a demissão da presidência do CDS/PP, Paulo Portas está de regresso à vida política activa. E se o sinal mais visível será dado no início do mês de Março, altura em que o agora deputado iniciará um espaço de opinião na SIC Notícias, vão-se multiplicando os sinais de que Portas pôs um ponto final no período de silêncio a que se remeteu. E com "pré-aviso": o ex-líder já advertiu, na passada semana, que não está ausente da vida político-partidária.
A Lei da Nacionalidade recentemente aprovada na Assembleia da República e a necessidade de revisão da Constituição Portuguesa são dois dos temas que vão marcar o regresso de Portas. Um registo que deverá manter no futuro - nomes próximos do ex-líder do CDS/PP defendem que a intervenção do deputado democrata-cristão deverá passar mais pelos grandes temas da política nacional e não tanto por questões partidárias.
Mas se Portas manterá alguma reserva nas intervenções públicas sobre o seu partido, sobretudo face às divisões que têm marcado a vida interna do CDS, é notório que o ex-líder vai dando "sinais de vida" para dentro do partido. Já o fez nas autárquicas, com uma agenda própria de campanha, e voltou agora a assumir o protagonismo numa visita de deputados democratas-cristãos aos estaleiros de Viana do Castelo. Uma posição mais interventiva "aplaudida" por vários deputados - que continuam a ver no ex-líder um trunfo capaz de desequilibrar a balança no medir de forças interno.
Já quanto à direcção, a atitude parece ser mais contida. Em entrevista ao Expresso, no passado sábado, o presidente dos centristas, José Ribeiro e Castro, disse precisar de mais ajuda no partido, mas isentou o seu antecessor desse esforço: "O dr. Paulo Portas liderou o partido com grande intensidade e esforço durante sete anos. O CDS não deve pôr mais pressão sobre ele".
Travessia do deserto
Quando se demitiu da presidência do CDS, a 20 de Fevereiro de 2005, depois de ter falhado todos os objectivos que tinha estabelecido para as legislativas, Portas anunciou que se remeteria ao silêncio. E foi em silêncio que se manteve no atribulado processo da sua sucessão, bem como no congresso que viria a colocar Telmo Correia contra Ribeiro e Castro. Nas poucas declarações públicas que fez entretanto, conta-se uma intervenção precisamente sobre a Constituição - ocasião em que viria a declarar o voto em Cavaco Silva -, e apenas uma ligada à vida partidária. Para se manifestar contra uma imposição de voto da direcção sobre a procriação medicamente assistida.
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