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Empresas portuguesas preservam cordões umbilicais de bebés espanhóis

por

Elsa Costa e Silva  

A proibição em Espanha de criar bancos privados para preservar o sangue de cordão umbilical abriu uma oportunidade de negócio para as empresas portuguesas. A Bebevida, que trabalha em parceria com a Bioteca - a única que, por enquanto, tem um laboratório de criopreservação em Portugal -, abriu este mês uma representação no país vizinho e também a Crioestaminal tem alguns contratos com pais espanhóis.

A polémica no País vizinho não é nova e não há consenso entre os especialistas sobre os benefícios de guardar o sangue do cordão umbilical. As autoridades espanholas preferem beneficiar os bancos públicos. De acordo com Rafael Matesanz, director da Organización Nacional de Trasplantes espanhola, o sistema local "estabelece que as doações não devem ser dirigidas a uma pessoa determinada, mas sim ao bem comum. O assunto choca com o sistema de transplantes estabelecido em Espanha porque choca com o conceito de doação altruísta e anónima".

Espanha tem seis bancos públicos e é o segundo maior país do mundo em termos de doações deste tipo. Portugal, por seu lado, não tem ainda um banco público, apesar de existir um projecto do investigador Mário Sousa, que não recolheu ainda aprovação por parte do Ministério da Saúde, ainda que haja um mecenas disposto a suportar o investimento.

Assim, até ao momento, as empresas têm sido proibidas em Espanha de instalar bancos privados. Contudo, há anualmente milhares de recolhas de sangue do cordão umbilical feitas a bebés espanhóis por empresas estrangeiras, divulgadas, nomeadamente, pela Internet. E também Portugal está a operar em Espanha. A parceria Bebevida e Bioteca lançou no início de Fevereiro uma representação no País vizinho, para começar a fazer a criopreservação em Portugal do sangue do cordão umbilical de bebés espanhóis. E este é, explica António Parada, administrador da Bioteca, o passo onde há valor acrescentado na actividade.

A iniciativa da instalação de uma representação em Espanha nasceu da procura oriunda do país vizinho sentida pela empresa Bebevida, há cerca de um ano no mercado. "Já recebemos muitos pedidos, a título individual, de pais espanhóis. E também de mães portuguesas que, vivendo perto da fronteira, vão ter os filhos a Espanha, mas recorrem a nós", explica Sílvia Martins, administradora da empresa. A Crioestaminal também tem, de acordo com Raul Santos, administrador da empresa, "situações pontuais".


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