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Cinco mil bombeiros com equipamento de protecção individual e informação dos riscos de incêndio com dois dias de antecedência são as principais armas do Governo para combater os fogos em 2006. A obtenção de dados meteorológicos com uma antecipação de 48 horas permitirá, segundo o ministro António Costa, posicionar rapidamente os grupos de intervenção, até porque se estima que os riscos de incêndios serão maiores este ano do que em 2005.
E, embora, a filosofia do Governo socialista passe por manter o estado de alerta ao longo de todo o ano, serão disponibilizados mais meios - humanos e técnicos - para o período em que se prevêem as temperaturas mais elevadas, entre 1 de Julho e 30 de Setembro. No ano passado, esta época foi alargada a 15 de Outubro, devido à continuação do tempo quente e ao agravamento da seca.
As medidas foram anunciadas ontem pelo ministro António Costa e secretário de Estado Ascenso Simões na Comissão Parlamentar Eventual para os Fogos Florestais. Os responsáveis do Ministério da Administração Interna estimam que a aquisição de equipamento deverá custar cerca de seis milhões de euros, no entanto, isso não implicará uma maior despesa para o Estado. "Vamos gastar certamente menos do que no ano passado", garantiu António Costa.
A compra de material de protecção individual será suportada pelos governos civis, através da verba que anteriormente destinavam à atribuição de subsídios na área da protecção civil. Isto porque o Executivo entende que é prioritário que os operacionais não corram riscos.
"O primeiro dever do bombeiro é proteger a sua própria segurança", sublinhou o ministro da Administração Interna. Até porque, salienta, enquanto a floresta "não for economicamente rentável" vai estando em pior estado de ano para ano. Além disso, à seca do solo de 2005 há a somar a seca de 2006.
Cabe ao Instituto de Meteorologia monotorizar os riscos de incêndio, o que passará a fazer melhor a partir de agora, garantiu o secretário de Estado da Administração Interna, Ascenso Simões. "Já tem uma densidade de estações que permitem fazer uma leitura mais clara da situação do País e com dois dias de antecedência", disse. O ano passado, o índice de risco de incêndio era calculado apenas na véspera.
As estruturas de combate aos incêndios estão organizadas em três frentes. Foi criado o Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPDS) da GNR, com 315 elementos no início, e que permite organizar equipas de primeira intervenção com um comando único. Estes têm como missão detectar os fogos nascentes, existindo um segundo grupo, o dos bombeiros e que é muito mais alargado, que fará o combate aos incêndios activos.
Há, ainda, um terceiro dispositivo destinado à protecção das pessoas e bens.
Além daqueles grupos, existe o Serviço Especial de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) que tem a responsabilidade da coordenação dos sistemas de vigilância e detecção de incêndios. A partir de Maio, esta estrutura será reforçada com 500 guardas florestais, que transitam da Direcção-Geral dos Recursos Florestais.
O novo modelo implica, também, um investimento na formação dos profissionais. Ascenso Simões garantiu que será administrados cursos aos comandantes distritais da GNR e aos dirigentes de todos os corpos de bombeiros. *Com Lusa
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