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"O vosso é um exemplo perante o qual nos sentimos muito pequenos. As coisas que a Liga faz são muito bonitas e fazem-nos sentir que não fizemos o suficiente." As palavras emocionadas do Presidente da República, Jorge Sampaio, foram ditas ontem, na abertura das comemorações do 50.º aniversário da Liga Portuguesa de Deficientes Motores (LPDM), e tinham como principal alvo todos aqueles que ali trabalham em prol da inserção social das pessoas com deficiência e de todas as outras que, por algum motivo, vivem em situação de exclusão. Anualmente, são seis mil as pessoas que recorrem aos Centro de Recursos Sociais da LPDM.
No momento em que assinala os 50 anos de uma existência de luta, a Liga quis homenagear Jorge Sampaio e Maria José Ritta, dois "amigos sempre presentes", como sublinhou Guida Faria, presidente da direcção. Foi, pois, em ambiente informal que lhes foram entregues os presentes muito especiais um tapete de Arraiolos e um quadro, ambos saídos das oficinas da LPDM. Sampaio retribuiu com sinceridade, elogiando o "trabalho lúcido e percursor" da associação que sempre "teve capacidade de vencer as situações adversas". "Os mandatos acabam-se mas há uma coisa que vamos manter, que é o interesse por esta causa, pela cidadania, pela inserção", prometeu, acrescentando: "Não podemos desmobilizar. Temos que passar o testemunho da luta pelo desenvolvimento integral da pessoa."
O apelo de Jorge Sampaio, feito ali, na sede da LPDM, na Ajuda, em Lisboa, perante os funcionários e amigos da Liga e uma dúzia de deficientes e seus familiares, ecoa agora através dos vários órgãos de comunicação, cumprindo aquele que era um dos maiores objectivos da presidente da associação "Queremos chamar a atenção das pessoas para o nosso trabalho e para os problemas que enfrentamos." Com a Liga desde o início, Guida Faria sente que, apesar tudo, ainda há muito por fazer, sobretudo na mudança das mentalidades em relação à deficiência: "Estamos a meio do caminho."
"Desde que comecei, já fiz jantares, passagens de modelos, espectáculos. Estes eventos acabam por banalizar a palavra solidariedade e não há um compromisso das pessoas. Acham que por comprar um bilhete para um evento já deram a sua contribuição. Mas o trabalho pela inserção é contínuo", desabafava ao DN Guida Faria.
Neste momento, uma das preocupações da LPDM é a criação da Fundação Liga. Constituída há dois anos e já a preparar trabalhos, a Fundação aguarda "a qualquer momento" a sua efectivação com a publicação em Diário da República. "A Fundação responde a uma necessidade de perenidade que, estatutariamente, não pode ser cumprida pela associação. E, em termos legais, permite-nos, por exemplo, assumir a responsabilidade por estas pessoas que agora estão connosco, quando já não tiverem o apoio dos seus familiares", explica Guida Faria. "A ideia é que a Fundação fique responsável pela investigação e formação e o Centro de Recursos Sociais continue a prestação de serviços."
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