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Foi o melhor ano da Arco para Portugal

 

Entre os 15 galeristas portugueses que participaram na 25.ª edição da Arco, a opinião é unânime esta feira foi a melhor de sempre. Para uns, a nível de facturação. Para outros, as vendas correram bem mas o melhor foram os contactos para futuros negócios e para expor os seus artistas em museus ou galerias estrangeiros. No ano em que instituições como o Museu Reina Sofia ou a Fundação Arco adquiriram várias obras made in Portugal, houve stocks esgotados e vendas por catálogo.

Reina Sofia faz compras

Ontem à tarde, horas antes do encerramento, o balanço feito pelos portugueses - todos contactados, por telefone, pelo DN - era mais do que positivo. Até a galeria francesa Jeanne Bucher, que apostou tudo em Vieira da Silva, tinha razões para se juntar ao coro. "Vendemos cinco obras, uma para a Colecção Burda, na Alemanha. E o Museu Reina Sofia, que não tem Vieira, reservou três para comprar uma", esclareceu Véronique Jaëger, a directora. Entre essas reservas está L'Incendie (de 400 mil euros). E "Gaëte tem várias pessoas interessadas".

Com um orçamento para a feira que rondou um milhão de euros, o Museu Reina Sofia elegeu obras de Fernanda Fragateiro (escultura Um Círculo que não é um Círculo, na Presença), Vasco Araújo (vídeo The Garden, que Serralves também comprou, na Filomena Soares) e José Pedro Croft (três trabalhos em papel, da Quadrado Azul, para juntar às cinco esculturas e desenhos do artista que o museu adquiriu desde 1992).

A Fundação Arco, que este ano tinha 174 mil euros para gastar, aumentou o seu acervo de arte portuguesa com uma fotografia pintada por Pedro Barateiro (na galeria Pedro Cera). O Centro Galego de Arte Contemporânea comprou duas fotografias e um vídeo de João Tabarra à Graça Brandão - que tem também um museu de St. Louis e um coleccionador de Hamburgo interessados na grande escultura de Rui Chafes à venda por 65 mil euros.

"Bons coleccionadores"

A galeria Pedro Oliveira vendeu à Colecção BES uma obra de Adelina Lopes e estabeleceu "muitos contactos" para levar Rui Calçada Bastos a "bienais e galerias estrangeiras". "Vendi o stand inteiro, incluindo coisas que tinha em stock. Este ano vieram mais coleccionadores privados bons", conta o galerista. Sucedeu o mesmo a Pedro Cera, que ontem mandou ir de Lisboa peças que negociou "por fotografia".

Quem também andou às compras foi a fundação (do escritório de advogados) PLMJ. Levou da galeria Filomena Soares um vídeo de António Olaio. E na estreante Fonseca Macedo adquiriu um vídeo de Ruben Verdadeiro e uma fotografia de Xana.

Da galeria Cristina Guerra saiu o vídeo Parasite, de Julião Sarmento, para uma grande colecção Belga, e o museu Van Abben, da Holanda, "está muito interessado" em Rui Toscano. A Jorge Shirley vendeu uma obra tridimensional de Nuno Nunes Ferreira para a Fundação Sorigué.

A galeria Carlos Carvalho foi convidada para a Basel Latina (paralela à feira de Basel) e conseguiu para Catarina Campino uma exposição no Museu de Santander, e para Daniel Blaufuks exposições no Recife e em São Paulo. A Mário Sequeira vendeu uma obra de Ana Cristina Leite para o Museu de Oviedo e vai promover mostras em Nova Iorque da artista, de Helena Almeida e Luís Coquenão.

A esta extensa lista de transacções juntam-se ainda muitas obras destinadas a colecções privadas, de Portugal ao México, assinadas por Helena Almeida, Paula Rego (pintura na 111, que também vendeu bem Graça Morais ou Joana Vasconcelos), João Maria Gusmão/Pedro Paiva, Maria José Cavaco, Aleksandra Mir, José Luís Neto, Cabrita Reis, Ângelo de Sousa, Paulo Nozolino, Gil Heitor Cortesão ou Pedro Calapez.

Da 24B saíram obras de Carlos Nogueira, Ricardo Pistola, Nuno Maya ou Carlos Lobo. E a Plumba, que também se estreou, vendeu Domingos Loureiro e tem interessados no trabalho de Carla Cruz.

O segredo do sucesso

Os stands portugueses destacavam-se nesta Arco pela qualidade das propostas, pelo equilíbrio entre suportes como a pintura, instalação ou vídeo, e pela incorporação de bons nomes estrangeiros - o que desperta a atenção e "posiciona" internacionalmente artistas e galeristas.

Dos 600 aos 65 mil euros (muitos são avessos a revelar valores), vendeu-se bem numa feira que, dizia ontem a Lusa, subiu 13% em volume de negócios face a 2004. E o público - que domingo partiu a peça Empatia, de Miguel Palma, avaliada em 12 mil euros -, encheu o recinto. "Os preços são exactamente iguais", recordou Miguel Nabinho, da Lisboa 20. Pelo que só pela tradição se entende que tantos portugueses comprem mais na feira do que nas galerias.

José Mário Brandão, da Graça Brandão, diz ainda que se a nossa arte é tão reconhecida, a eles o devem; "E não há no Estado português consciência disso. Não é só o dinheiro que conta, as pessoas vão circulando pelas instituições mas não têm imaginação nem capacidade de trabalho para arranjar apoios". Em todo o caso, como sintetizou Cristina Guerra, a hora é de regozijo. "Os artistas portugueses são muito bons".


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