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Céu Neves
A proposta de uma nova lei da nacionalidade vai ser hoje votada na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. O texto teve múltiplas versões e ainda na tarde de ontem foi discutida uma última alteração. Em causa, o facto de não se prever a suspensão da processo quando o candidato é condenado ou está envolvido num processo judicial, facto criticado pela bancada do CDS/PP. Foi também equiparada a união de facto ao casamento para a aquisição da nacionalidade, como defendia o PCP. O objectivo é conseguir o máximo de consenso em torno desta temática.
Para o alto-comissário para a Imigração e Minorias Étnicas, a introdução de algumas limitações à aquisição da nacionalidade portuguesa é o preço a pagar em prol do consenso. "Não troco uma legislação mais avançada pela redução de apoio. É melhor esta lei do que uma mais progressista e com menos apoio social", defende Rui Marques.
Também os deputados comunistas viram introduzidas uma das suas pretensões e que é a equiparação da união de facto ao casamento. E, quanto ao PSD, o Governo concordou em alargar a nacionalidade portuguesa aos netos de emigrantes.
Ao mesmo tempo, a terceira geração de imigrantes - os filhos dos estrangeiros que já nasceram em território português - passam a ter automaticamente a nacionalidade portuguesa. E todos os que nasceram no País terão direito a um bilhete de identidade nacional ao fim de dez anos de aqui residirem, mesmo que os pais estejam em situação irregular.
Situações de exclusão
Anabela Rodrigues, presidente da Associação Cultural Moinho da Juventude, lamenta que tenham ficado de fora as pessoas que emigraram para Portugal com dois, três anos e cujos pais sempre se mantiveram numa situação irregular. "Há avanços em termos legislativos para os que nascem em Portugal, mas tenho pena que não se tenha ido mais longe, nomeadamente no que diz respeito a quem imigrou muito novo e reside ilegalmente no País. Esses casos nem sequer podem ser resolvidos através do reagrupamento familiar", lamenta.
Aquela jurista, de origem cabo-verdiana, concorda com a harmonização para seis anos do período de tempo para a concessão da cidadania portuguesa. "É uma obrigação imposta pela UE, acabando-se assim a hierarquização entre imigrantes", justifica.
O factor "dinheiro" deixa de ser necessário para a aquisição da nacionalidade, o que discriminava os ricos dos pobres. O novo diploma não contempla a garantia de meios de subsistência, sendo esta uma das áreas onde poderá haver mais polémica quando o texto for levado à votação na Assembleia da República, último passo para a sua publicação.
Rui Marques diz que a proposta é um exemplo excelente da procura por um consenso alargado nas políticas de imigração, temáticas que têm sido fracturantes noutros países europeus, segundo explica.
"A nova legislação vai tão longe quanto entendo ser razoável. É sempre possível ir mais longe, mas a grande conquista é o consenso em torno de uma lei mais aberta e acolhedora dos cidadãos estrangeiros."
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