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Fernanda Câncio
Seis dos nove deputados da JS assumiram ontem, em comunicado, o seu desacordo com a decisão do secretário-geral, Pedro Nuno Santos, de avançar, na sequência da iniciativa do BE nesse sentido, com um projecto-lei com vista à legalização dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Apesar de estarem de acordo com a mudança do Código Civil, os seis contestam o timing e acusam o secretário-geral de "protagonismo".
Frisando que a JS não se constitui como "grupo autónomo" na bancada socialista, os contestatários consideram que o fundamental é "criar condições dentro do PS para que assuma a questão como uma prioridade". Num primeiro momento, ao ter conhecimento do comunicado divulgado no início da tarde pela Lusa, Pedro Nuno Santos reagiu afirmando a sua autoridade, enquanto secretário-geral, para assumir as decisões que considera oportunas em face de compromissos assumidos pela JS - como é o caso -, assegurando que o fizera com conhecimento da direcção nacional do PS e da liderança da bancada.
Em seguida, porém, Nuno Santos reuniu-se com os deputados da JS, "pacificando" as hostes. Ficou assente que na terça-feira o projecto-lei será apreciado e se definirão posições definitivas. "Não quero comentar o que se passou, só quero resultados", disse o dirigente ao DN, admitindo que nem todos os parlamentares da JS assinem o diploma. "Creio que é possível sermos o quinto país do mundo e o quarto da Europa a aprovar uma lei que seria uma mostra de modernidade. A esquerda moderna também passa por estas questões de igualdade, não passa só pelo plano tecnológico."
As contas estão feitas de acordo com o líder da JS, a lei passará, mesmo com 27 votos contra do PS, desde que o PCP vote a favor (contando com o sim do BE). Mas para além de Sónia Fertuzinhos e Manuel Maria Carrilho (deputados do PS que assinaram a petição a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, que dia 16 será entregue ao parlamento), os socialistas ainda não se definiram. O assunto não foi sequer discutido ontem na reunião, e o líder Alberto Martins assume que ainda não há qualquer posição, mas que o grupo, "aberto" e "democrático", haverá de debater.
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