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Fundos dizem que "não faz sentido" descer comissões

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Pedro Ferreira Esteves  

As gestoras de fundos de investimento consideram que o actual nível de comissões cobradas aos clientes está em linha com os valores praticados no resto da Europa. Desta forma, não estão a ponderar qualquer redução das mesmas. Esta é a resposta à constatação feita pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários de que os fundos portugueses têm margem para descer as comissões actualmente em vigor.

A CMVM apresentou, na semana passada, um estudo sobre os custos do investimento em acções, que dá conta da existência de margem para a descida das comissões por parte dos intermediários financeiros. Segundo Carlos Tavares, presidente da entidade reguladora, "estas conclusões são semelhantes às de um estudo realizado sobre fundos de investimento".

Para João Faria, presidente da Caixagest, a segunda maior gestora portuguesa de fundos, "não faz sentido falar em descida" das comissões associadas a este tipo de investimento. Sublinhando que se trata de "um sector competitivo", este responsável considera que as comissões dos fundos representam "a remuneração de um serviço especializado" que permite aos clientes aceder a um produto com "rentabilidades mais altas e maior diversificação" face ao investimento directo em acções.

Por outro lado, segundo fonte oficial da Millennium bcp Fundos de Investimento, líder do mercado português de fundos de investimento, "a conclusão sugerida pelo estudo da CMVM, de que as comissões dos fundos de investimento nacionais são elevadas, é contrariada pela comparação com as práticas europeias". Uma ideia reforçada pelos responsáveis da Santander Gestão de Activos, para quem "as nossas comissões para pequenos investidores estão em linha com os mercados de Espanha, França e Itália".

Neste contexto, de acordo com José Veiga Sarmento, da BPI Fundos, "não há grandes condições para reduzir comissões, embora alguma coisa tenha já sido feita nesse sentido durante 2005".

A ESAF, sociedade gestora do grupo BES, referiu, por seu turno, que o seu "objectivo é cobrar comissões que não impeçam os fundos de obter desempenhos apelativos e competitivos no âmbito da oferta de fundos nacionais, de modo a cativar e não prejudicar os investidores. Pensamos que esse compromisso é atingido actualmente". No entanto, esta gestora sublinha que está "alerta e aberta a correcções no comissionamento, sempre na óptica da atractividade e justiça para o investidor".

Refira-se que as sociedades gestoras contactadas pelo DN representam quase 90% de um mercado que ultrapassa os 28 mil milhões de euros sob gestão. C


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