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OBanco Comercial Português comprometeu-se ontem a chegar ao final de 2007 com resultados líquidos recorrentes superiores a 880 milhões de euros. A nova meta resulta da revisão em alta dos objectivos de ganhos adicionais de rendibilidade a obter no médio prazo e inclui ainda o compromisso de aumentar o lucro por acção do grupo em 20% ao ano até ao final de 2008.
Em Maio de 2004, o banco tinha prometido aumentar o seu resultado líquido em 310 milhões de euros até ao final do próximo exercício - meta alcançada em 98% no ano passado. Agora, o objectivo é que esse acréscimo seja de mais 140 milhões até 31 de Dezembro de 2007, segundo anunciou ontem Paulo Teixeira Pinto, presidente do grupo, na conferência de apresentação dos resultados do ano passado.
A principal fatia deste ganho adicional deverá ser gerada pela actividade de banca de retalho desenvolvida em Portugal, cujo resultado líquido deverá aumentar 120 milhões de euros nos próximos dois anos. A redução de pessoal realizada em 2005 e a concretizar este ano (ver caixa) poderá acrescentar mais 120 milhões de euros aos lucros nos próximos dois anos. A estes dois valores há que subtrair 60 milhões de euros referentes aos lucros do Banco Comercial de Macau, Interbanco e Banque BCP que o BCP vai deixar de receber até 2007 , por ter decidido vender aquelas instituições.
Venda de património e créditos em 2006
A alienação de activos não estratégicos volta a ser uma das apostas do banco para este ano. O BCP decidiu mesmo criar uma direcção de alienação de activos que "vai passar em revista todo o banco". A sua missão será a de, relativamente a cada activo em concreto, responder à questão "porque é que deve ficar no grupo", explicou Teixeira Pinto. Além de participações financeiras, o BCP vai também vender património imobiliário e partes da sua carteira de crédito. A captação de fundos passará ainda pela realização de, pelo menos, uma operação de titularização de créditos hipotecários no valor de mil milhões de euros, a concretizar nos próximos meses.
Em curso está já a venda do Banco de Investimento Imobiliário (BII) que o grupo passou a controlar na totalidade, depois de ter cessado a sua parceria estratégica com o Banca Intesa, que detinha 30% daquela instituição. O BCP está a analisar várias propostas de compra, esperando-se que a operação esteja concretizada até ao final do primeiro semestre deste ano.
Roménia em aberto, Croácia pouco provável
No que diz respeito à expansão internacional, Paulo Teixeira garantiu que, perante a informação de que o banco dispõe, "é altamente improvável que venha a apresentar uma proposta firme" de aquisição do banco croata Splitska Banka. Tal como o DN noticiou ontem, o BCP foi convidado a analisar a compra da instituição que o italiano UniCredito tem que vender na sequência da fusão com o alemão HVB, tendo mesmo apresentado uma oferta de aquisição não vinculativa.
Já na Roménia, onde o banco de Teixeira Pinto perdeu recentemente a corrida à compra do Banca Comerciala Romana - líder do mercado local -, está a ser considerada a possibilidade de ser criado um banco de raiz. O assunto foi discutido na última reunião do conselho superior do BCP, como o DN avançara na semana passada, mas ainda não foi tomada uma decisão definitiva. "Sabemos fazer start-ups, como aconteceu na Grécia. Perdemos a corrida à compra do maior banco da Roménia, mas não temos que desistir de ter o melhor banco do país", sublinhou o banqueiro. C
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