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É no grupo parlamentar do PS que Manuel Alegre mantém alguns dos seus principais aliados internos. A começar pela própria direcção da bancada, encabeçada por Alberto Martins - um velho amigo de Alegre, que em Setembro de 2004 alinhou com o poeta na campanha para secretário-geral do partido, após a saída de Ferro Rodrigues. José Sócrates, que venceu Alegre nesse combate, não perdeu tempo na sequência da frágil trégua então estabelecida com o autor de Senhora das Tempestades, confiou aos apoiantes do rival boa parte do núcleo dirigente do grupo parlamentar. Deste modo, Alegre marcou pontos no elenco socialista em São Bento - numa proporção superior aos escassos 16% obtidos na eleição interna.
Além do líder parlamentar, vários vice-presidentes da bancada socialista na Assembleia da República alinharam igualmente com Alegre contra Sócrates em 2004. Estiveram nesse grupo, por exemplo, Maria de Belém, Manuel Maria Carrilho e Strecht Ribeiro. Outros deputados socialistas que estiveram com o poeta foram Augusto Santos Silva - entretanto transferido para o Governo, onde é ministro dos Assuntos Parlamentares - e José Vera Jardim, ex-titular da pasta da Justiça. Todos apoiaram Mário Soares para Belém, de acordo com a linha oficial do partido. Mas a participação de alguns na campanha foi ínfima Alberto Martins e Maria de Belém, por exemplo, nem chegaram a ser vistos em qualquer comício.
Dois outros "alegristas" na bancada são Osvaldo Castro, actual presidente da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, e João Cravinho, que lidera a comissão de Assuntos Económicos. Também a ex-líder da JS, Ana Catarina Mendes, e até a irmã do candidato, Teresa Alegre Portugal, têm assento na bancada socialista.
E, claro, há o próprio Alegre. Vice-presidente da Assembleia da República, em representação do PS, o poeta tem um peso institucional forte, aliás reforçado pela sua presença no Conselho de Estado. Sócrates não pode ignorar este protagonismo de um deputado que noutras legislaturas deu fortes dores de cabeça a líderes socialistas tão diferentes como Mário Soares (na Lei da Segurança Interna, ainda nos anos 80) e António Guterres (na questão da co-incineração, nos anos 90). Alegre até nem costuma participar nas reuniões semanais da bancada socialista. Mas a sua margem de manobra é grande. E pode tornar-se ainda maior depois do milhão de votos que conquistou no domingo.
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