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Um dia de campanha salvo pelos bombos

por

Filipe Santos Costa

Leonardo Negrão  

A seis dias das eleições, o dia de campanha de Mário Soares em Viseu foi isto um almoço com pessoal da candidatura e estruturas socialistas do distrito (onde o candidato nem discursou, apesar de o equipamento de som estar montado), uma visita às caves da Murganheira, um chá em Lamego, um passeio na Rua Direita de Viseu, ao fim da tarde, e um jantar-comício, à noite, depois do fecho desta edição, para o qual eram esperadas mais de mil pessoas, entre elas o ministro Mário Lino, das Obras Públicas.

Foi um dia fraco em terras que Mário Soares diz já não serem o "cavaquistão", como foram, mas onde até os dirigentes socialistas admitem que Cavaco poderá ter um grande resultado, apesar de o distrito ter dado a vitória a José Sócrates nas legislativas de 2005. Depois do ponto alto que foi a passagem pelo Porto, no sábado, a campanha de Soares tem perdido fôlego. No domingo, foi a neve que não o deixou chegar a Bragança. Mas ontem não houve contratempo climatérico que justificasse a falta de chispa das acções de campanha.

Ao final da tarde, quando o candidato chegou ao centro de Viseu para uma arruada, não tinha mais que poucas dezenas de pessoas à sua espera - e muitas eram as mesmas que tinham almoçado com ele em Tarouca, como Fernando Amaral, dirigente histórico do PSD e mandatário soarista no distrito. Devia haver bombos para o passeio pela zona histórica, mas os Abelhões de Oliveira de Barreiro ainda não tinham chegado. Sem barulho, sem multidão e com muito frio, ficariam todos ali a olhar uns para os outros se José Junqueiro, o líder distrital do PS, não tivesse dado ordem de marcha

"Vamos andando!"

"Mas vamos andando sem bombos?...", estranhava Soares.

Lá foram, com Soares à frente. E, como sempre tem acontecido nesta campanha, quando a coisa não corre bem, o candidato refugiou-se na primeira pastelaria que encontrou. À saída, teve a boa notícia tinham chegado os bombos!

"Isto só lá vai com bombos?", pergunta-lhe a jornalista da RTP. "Não faça perguntas provocadoras!", responde-lhe Mário Soares, que ontem estava outra vez chateado com a comunicação social ( "Vocês parecem a Inquisição!", barafustou). Mas, voltando à pergunta dos bombos, pensou melhor e lá reconheceu que "os bombos ajudam a fazer disto uma festa com alegria".

O grupo foi engrossando conforme Mário Soares percorria a Rua Direita, que, para quem não sabe, é torta e por vezes não tem mais que dois metros de largura, por isso é fácil de encher. O candidato, que não vira a cara a ninguém e já ouviu quase tudo, deparou-se com um elogio original "Só queria ter a inteligência do senhor doutor!", dizia uma mulher em grande alvoroço. Mas também se deparou com outra que pôs o dedo na ferida: "Eu sempre gostei muito do senhor, mas no passado. O tempo do senhor já passou." Soares discordou e seguiu o barulho dos bombos.


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