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por
Filipe Santos Costa
Leonardo Negrão
Em dia frouxo para a caravana de Mário Soares, que não pôde chegar a Bragança por causa de um nevão que cortou as estradas, foi um ministro de José Sócrates quem aqueceu a campanha soarista. Augusto Santos Silva foi a Vila Real lançar o mais duro ataque de um governante a Cavaco Silva, associando a sua eventual eleição a uma tentativa de "golpe de Estado constitucional".
O ministro dos Assuntos Parlamentares não nomeou Cavaco (parece ser palavra tabu para governantes), mas foi claro ao referir várias vezes "o candidato apoiado pela direita". É esse o candidato que, em sua opinião, "manifestamente dá sinais de não perceber o que é a função do Presidente da República". Por isso, Santos Silva deixou o aviso "O que está em causa no domingo é eleição de um Presidente que obedece à Constituição, não é uma tentativa de fazer o que seria um verdadeiro golpe de Estado constitucional."
Augusto Santos Silva fez uma espécie de revista de imprensa, rebatendo algumas das declarações que Cavaco fez nas últimas semanas. "O candidato apoiado pela direita" disse numa entrevista que este Governo trata os funcionários públicos pior do que ele os tratava - o ministro responde-lhe "Quem é que congelou os salários dos funcionários públicos, se não a direita que agora apoia este candidato?". Cavaco afirmou noutra entrevista que quer ser o treinador do Governo - Santos Silva dispara: "Se a sua ambição é ser treinador, então, que se dedique ao futebol e não à Presidência da República. (...) Não precisamos cá de treinadores." O "candidato apoiado pela direita" prometeu ajudar o Governo a acabar bem o seu mandato - o colaborador de Sócrates informa-o: "O actual Governo está a começar o seu mandato com a agenda reformista necessária." Cavaco declarou que iria "correr o risco de cooperar com o Governo" - o governante esclarece-o que "há aí uma confusão", pois a cooperação institucional é obrigação de qualquer titular de um órgão de soberania.
"Quem fala assim, quem nas poucas coisas que diz comete estes deslizes tão óbvios, tão graves, não pode ser PR", concluiu Santos Silva. Um arraso a Cavaco, menos de 24 horas depois de José Sócrates ter afirmado que "quem tem um candidato com as qualidades excepcionais de Soares não precisa de estar preocupado com os outros candidatos".
Depois deste discurso, o candidato não gastou uma linha com Cavaco. "Houve gente antes de mim a falar dos meus adversários, eu não precisei de o fazer", assumiu Soares ao DN. Por isso a intervenção perante cerca de 700 pessoas virou-se para outros temas que têm pontuado o discurso o combate à pobreza e às desigualdades, a necessidade de uma mais justa repartição da riqueza, o papel de Portugal no mundo.
Acabou em força um dia fraco, em que o almoço com apoiantes em Bragança teve que ser cancela-do porque a neve obrigou ao corte das estradas. A caravana ficou-se por Vila Real, entre mais uns bolos numa pastelaria e um passeio num centro comercial. O povo amontoou-se para ver Soares tomar chá no shopping e assim quebrou o tédio de mais uma tarde de domingo a ver montras.
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