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Alegria, alegria

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Ana Sá Lopes ana.s.lopes@dn.pt  

Na segunda-feira, sem lenço nem documento, apareci em Coimbra. Esqueci-me do cachecol e do bilhete de identidade, tal era a pressa em chegar a horas de jantar, e rapei algum frio. Quero lá saber, como dizia o outro (o Caetano Veloso) "Caminhando contra o vento, eu vou, porque não, porque não, porque não?"

E porque não Coimbra? Tem que se estar em algum lado. E porque não o Juca? Tem que se jantar com alguém (pelo menos de vez em quando). Além de jantar, o Juca, por acaso, também fala, e isso não é assim tão comum e deve ser valorizado.

Ai vida. Não estava à espera, a sério depois do jantar, o Juca quis dar um salto ao comício do Alegre. E eu quis morrer. Não é que o jantar tenha ultrapassado o ramerrão (embora, como já disse, o Juca fale e isso possa ser lido como um facto interessante). Mas ir parar, a seguir, a um comício, pareceu-me a derrocada. Até aqui, e perdoem-me os politicamente correctos, o que eu ando é a pensar nos saldos e em fazer umas sondagens, a partir de uma ficha técnica que eu cá sei, ao Juca. Estive quase a arrancar para Lisboa, mas isso podia contribuir para uma queda abrupta nas sondagens da minha vida pessoal.

Acontece que, depois do comício em Coimbra, tudo mudou . Não o valor percentual do Juca que, entretanto, sem que eu percebesse porquê, desistiu de falar. O que mudou e a sério foi a minha relação com as presidenciais. Eu nunca tinha estado ao pé do Manuel Alegre e isso fez toda a diferença. Os olhos verdes fulminaram-me (no bom sentido, que eu não sou o Soares), a voz estraçalhou-me o coração, e dei por mim em pé, como se o Teatro Gil Vicente fosse uma praça da canção, a dançar com o Pacman dos Da Weasel e a lutar por uma causa, uma causa a valer, uma causa de que ninguém se tinha lembrado até agora, nem eu própria até àquele momento de olhos verdes, e a pensar que, quando Alegre tomar posse como Presidente e for ao cemitério de Coja dizer ao Fernando Vale que cumprirá a ética republicana (o seu primeiro acto, foi o que ele disse) eu lá estarei entre as campas, o mais republicana que este frio me permitir. Eu vou, eu vou, eu vou. Manuel Alegre, eu vou. Eu vou a salto para o exílio da tua campanha presidencial. Porque não? Porque não?


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