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As reformas americanas

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Jornalista rubencarvalho@mail.telepac.pt  

Nos últimos meses, algumas das maiores empresas norte-americanas têm posto fim aos seus compromissos com os fundos de reforma dos seus trabalhadores. A mais recente foi a IBM, sucedendo a gigantes da dimensão da Motorola, Verizon ou Lockheed.

Nos EUA não existe um sistema de reforma/segurança social público semelhante ao da maioria dos países europeus. Foi essencialmente após a II Guerra que, correspondendo a poderosos movimentos reivindicativos (que tinham exactamente como referência as garantias conquistadas pelos trabalhadores na Europa e, muito em especial, na União Soviética e que se alargavam aos países que viriam a constituir o bloco socialista), o capital norte-americano começou a alargar o sistema de fundos de pensões assegurados pelas próprias empresas. A solução era, de resto, satisfatória para os empregadores cedendo às exigências laborais e do movimento sindical, a criação dos fundos próprios gerava vantagens do ponto de vista fiscal que proporcionavam favoráveis capitalizações, uma vez que a gestão de tais fundos continuava nas mãos das administrações das empresas.

Na década de 70 este tipo de cobertura atingia cerca de 62 por cento dos trabalhadores dos EUA, mas a ofensiva do período Reagan iniciou uma alteração profunda, para que vieram ainda contribuir utilizações fraudulentas pelas administrações, de que o caso mais gritante foi o escândalo Enron. Tais fraudes desencadearam, por sua vez, medidas regulamentadoras que (de forma perversa e merecendo reservas por parte dos sindicatos) diminuíram o interesse financeiro dos fundos para o capital.

É neste quadro que aquela percentagem desceu em 1997 para apenas 13 por cento - nos quais se integravam alguns dos gigantes que exactamente agora abandonam os seus compromissos.

O quadro assume aspectos dramáticos a alternativa apresentada a quem trabalha é o recurso a fundos pessoais, o que, desde logo, torna a reforma de qualquer trabalhador completamente vulnerável às flutuações do mercado de capitais, cujo funcionamento na sua esmagadora maioria, evidentemente, ignoram.

É interessante verificar como as regalias dos trabalhadores cresceram com o surgimento do campo socialista e diminuem com o seu desaparecimento.


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