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Oprojecto cultural mais ambicioso que Carmona Rodrigues, presidente da Câmara de Lisboa, quer anunciar aos 180 dias de mandato é a criação de um centro de arte contemporânea, pensado em parceria com o Governo, para o Pavilhão de Portugal. A jóia da coroa desse centro pode vir a ser o acervo do Museu do Design, que se encontra no CCB e é propriedade municipal.
Esta é uma das novidades que a autarquia está a preparar para 2006. Há outros projectos culturais que vão ser anunciados, que envolvem a reformulação dos teatros municipais, o Chiado de Fernando Pessoa, as ruínas do Carmo e o Cinema São Jorge, entre outros.
"A nossa aposta é o sector da cultura para a valorização da cidade, ideia que o presidente da Câmara tem reiterado várias vezes. A cultura pode dinamizar, também, do ponto de vista económico", revela ao DN o vereador do PSD para a Cultura, José Amaral Lopes.
O orçamento para o sector será, segundo o responsável, "de cerca de 30 a 32 milhões de euros", mas acalenta a esperança de que "até pode vir a ser mais". O vereador do pelouro quer também atrair mecenas para os projectos que a autarquia vier a desenvolver este ano e nos seguintes. José Amaral Lopes acha que "há interesse em participações e parcerias", desde que "as entidades públicas não sejam tão burocráticas e pouco ágeis".
O vereador disse ao DN que vai apostar na valorização da Colecção Francisco Capelo, que deu origem ao Museu do Design no CCB, para a integrar no futuro centro de arte contemporânea. "Como não há nenhuma instituição portuguesa que tenha, do ponto de vista de comparação internacional, um acervo visitável no domínio da arte contemporânea, nós temos de o ajudar a construir e valorizar."
A aquisição do Pavilhão de Portugal é um objectivo do município para este grande projecto "que irá englobar o design, a arquitectura e a arte contemporânea". O projecto pressupõe uma parceria com o Governo, embora José Amaral Lopes considere que "a câmara está directamente empenhada e responsável pelo assunto". Apesar do Museu do Design se encontrar no Centro Cultural de Belém [sendo o núcleo mais visitado], o vereador sublinha que "o que for espólio da câmara, a câmara ficará com ele, sem dúvida nenhuma".
Sobre os acervos de arte contemporânea que possam vir a acompanhar a colecção Francisco Capelo, Amaral Lopes revelou haver "colecções disponíveis para a Câmara, como a Paço d'Arcos e outras".
Os teatros municipais serão alvo de atenção. Diogo Infante é considerado a pessoa certa para o Teatro Maria Matos "tem experiência e capacidade para motivar novos públicos", e a vereação está "empenhada em ajudar a melhorar as condições da Maria do Céu Guerra no Cineteatro A Barraca, e do Teatro da Comuna, com o João Mota, porque são equipamentos onde a câmara tem responsabilidades". O Teatro São Luís deverá contar "com uma salvaguarda para programações com um prazo maior, para rentabilizar".
O Teatro Maria Matos, garante o vereador, "deverá abrir no dia 27 de Março, o Dia Mundial do Teatro, não como um capricho, mas simbolismo".
Para as ruínas do Carmo, embora não sejam propriedade do município, há projectos para a montagem de uma ópera no local.
Também o Cinema São Jorge se encontra debaixo de olho. Amaral Lopes diz não fazer sentido "que um dos melhores equipamentos no centro da cidade esteja fechado". Já houve reuniões com investidores e arquitectos para "continuar a ser usado como a casa do cinema, e associar novas formas de expressão de videoarte e digitais, e transformar o local num sítio da moda".
Outra das ideias que a autarquia quer trabalhar é a associação do Chiado com a Baixa e a memória de Fernando Pessoa. "Porque não juntar em eventos, cujo pano de fundo seja o poeta, o café Martinho da Arcada, a taberna onde o Pessoa ia e aquela zona do São Carlos?"
A Feira do Livro continuará a ser apoiada pelo município, que tem vontade de "dar um empurrãozinho", segundo o vereador, para "fazer com que apeteça ir lá". Quanto a orçamentos, o responsável pela Cultura lembra que já têm os equipamentos, o mais caro. "O dinheiro é fundamental, mas não condicionante."
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