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"Se eu perder a culpa é minha"

 

e eu perder, a culpa é minha. A culpa é sempre minha", assumiu ontem Mário Soares. Apesar de pôr de parte um cenário de derrota, o candidato ilibou o PS de qualquer culpa por um eventual mau resultado, assumindo a responsabilidade. "Eu faço uma campanha como sempre fiz, de afectividade, de proximidade", explicou aos jornalistas ao final do dia. "Não é uma campanha ensaiada, não trago números para mostrar, não trago gente especialmente arregimentada. Sou eu próprio, ao natural".

Ontem, era ele mais os três membros do Governo que o acompanharam o ministro da Justiça, Alberto Costa, em Leiria, e os secretários de Estado Jorge Lacão e Idália Moniz, em Tomar. A presença dos governantes foi, aliás, abundantemente citada por Soares, num esforço para contrariar a ideia de que está a fazer a campanha sem o apoio do Governo. "Os ministros já quase todos passaram pela minha campanha, o primeiro-ministro já fez uma afirmação óptima num vídeo, e vocês continuam a dizer que eu estou desacompanhado. Eu não acho".

Se, há uns dias, Alegre se congratulava por não ter ministros consigo, ontem, Soares até aproveitou uma entrevista em directo à TVI para exibir o homem que estava ao seu lado "Está aqui hoje o ministro da Justiça. Olhe, está aqui: um membro do Governo e dirigente do PS!" Alberto Costa, que se juntou a Soares num almoço com 130 empresários de Leiria, em mais uma daquelas salas acanhadas que começam a ser a imagem de marca da campanha, mostrou-se ao lado do candidato, discursou, ouviu o candidato e foi-se embora, sem comer.

O ministro da Justiça tocou onde mais dói à campanha soarista as sondagens que, sem excepção, indicam uma vitória de Cavaco à primeira. "Não podemos consentir que os resultados se transformem em ratificações de sondagens, porque quando os eleitores forem chamados às urnas para ratificar sondagens, "a democracia está realmente ameaçada." E foi ainda mais longe na dramatização. "Os portugueses não se podem conformar com a possibilidade de ser escolhido à primeira volta quem eles sabem que perderia à segunda volta. Isso seria uma enorme distorção do processo democrático". Denunciou a "confusão de candidatos" e defendeu que a verdadeira eleição será numa segunda volta Soares/Cavaco. "A opção deve ser entre os dois candidatos efectivos".

Sobre a confusão de candidatos, não há dúvidas ao início da manhã, antes de um passeio pelas Caldas da Rainha, duas mulheres, sentadas na esplanada, olhavam para os apoiantes que esperavam o candidato do PS e comentavam: "Então aqueles estavam há dias com o Alegre e agora estão aqui com o Soares?"

Na véspera, Soares tinha recebido o apoio de Jorge Coelho, que é sempre sucesso garantido nos comícios. O dirigente socialista voltou a ligar estas eleições às legislativas de há um ano, para dizer que quem votou Sócrates não pode cair "na asneira de estragar tudo nas presidenciais, elegendo um candidato a Presidente que é contra o PS".


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