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Evasco
graça
moura
le não respeita regras. Ele fez afirmações gravíssimas. Ele destruiu a razoável imagem que tinha com meia dúzia de frases intencionais e malévolas.
Ele não se limitou a ser o único e aliás medíocre entrevistador do seu adversário em 20 de Dezembro. Fez uma figura triste, trapalhona e imperdoável.
Ele reconheceu que se prestou, como Presidente da República, a ouvir reparos críticos de primeiros-ministros estrangeiros ao primeiro-ministro de Portugal, quando este andava a defender os interesses nacionais.
Ele tem da função presidencial um entendimento perverso a opinação de uns amigalhaços de segunda categoria foi posta à frente dos interesses do Estado português. Ele é o homem que diz ter uma grande experiência internacional e ser muito prestigiado no estrangeiro, talvez por se prestar assim à coscuvilhice política de alto (?) nível…
Ele mostrou-se de acordo, na sua qualidade de Chefe do Estado, com o que então lhe disseram os seus interlocutores. Tanto assim que o invocou agora como fundamento das suas afirmações.
Ele aceitava tudo aquilo que ia ouvindo, não se opondo a que assim pudessem ficar diminuídos a credibilidade, o prestígio, o estatuto e o espaço de manobra do primeiro- -ministro de Portugal. Não sabemos com quem falou.
Ele, que diz conhecer e respeitar a Constituição, talvez não tenha chegado a trair o interesse nacional, mas traiu certamente a solidariedade institucional. Se algum daqueles fabianos se tivesse jamais atrevido a entabular conversas do mesmo jaez com estadistas como Jacques Delors, Helmut Kohl, Margaret Thachter, John Major, Felipe González ou até son ami Mitterrand, teria levado uma corrida em pêlo. Ele não aprendeu nada com as grandes figuras da política europeia.
Ele teve a desfaçatez de assumir esse comportamento deprimente, não se penitenciando por tal facto, antes tentando utilizar essas situações do passado em seu favor no presente.
Ele continua a pensar que goza de uma absoluta impunidade. Sem nada de melhor para dizer, lançou mão da insinuação não demonstrada em termos que resvalam para a calúnia lesiva para Portugal e para quem representava o País em negociações da mais alta complexidade.
Ele acha que os fins justificam os meios. Ele, habitualmente bem-educado, não recua perante nada, no desespero em que o colocam as sondagens. Ele é que representa um alto risco para a democracia.
Ele escusou-se a revelar a identidade daqueles interlocutores, o que era o mínimo exigível depois de ter descrito perante as câmaras o teor escandaloso das suas conversas.
Ele não teve transparência nem coragem nos seus processos. Afirmou coisas espantosas com toda a arrogância, mas meteu o rabo entre as pernas quando se tratou de esclarecer o auditório sobre quem lhe disse o que se pôs a repetir. Se o seu comportamento tivesse sido divulgado na altura em que assim procedeu, ele não teria tido outro remédio senão o de pedir a demissão do cargo que ocupava.
Ele não foi capaz de explicar por que razão não exerceu então os seus poderes para demitir o primeiro-ministro, se achava que este não valia grande coisa e merecia os comentários desprimorosos que ia ouvindo.
Ele é pateticamente inconsistente nas suas posições. Foi-o quando Presidente. É-o agora que tenta voltar a sê-lo.
Ele, que tanto invoca o conhecimento da História, da Economia e da Política, mostra também a sua rutilante ignorância em matérias nevrálgicas para o País nem sequer se deu ao trabalho de ler, ao menos, o documento da União Europeia intitulado The Portuguese Economy after the Boom, que compara eloquentemente a governação a que ele põe agora tantas reticências e a governação socialista.
Resumindo
Ele assumiu em público ter sido protagonista consciente e voluntário do desprestígio do País, da República e do Governo.
Ele deixou bem claro que se esteve nas tintas para a defesa dos interesses nacionais e para a solidariedade institucional.
Ele fez com que a maioria dos portugueses, a partir de 20 de Dezembro, se sentisse desconfortável com o facto de o ter tido como Presidente durante dez anos, como se viu pelas inúmeras reacções, espontâneas e indignadas do dia seguinte, nos vários fora da rádio e da televisão.
Ele só tinha um caminho decente a seguir depois de um episódio tão deselegante e tão grotesco o de desistir da sua candidatura.
Ele merecia que o seu partido lhe tivesse retirado o apoio logo naquela noite. Era esse também o único caminho decente que restava ao PS.
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