Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


artes

O ano Dylan (1)

por

pedro Mexia

pedromexia@gmail.com  

Em 2004, Bob Dylan publicou o volume 1 de Chronicles, as suas memórias. Em 2005, tivemos o documentário de Martin Scorsese No Direction Home (disponível em DVD) e o CD com o mesmo título(que reúne gravações esquecidas, demos, registos ao vivo e out-takes). E saiu ainda o estudo Like a Rolling Stone, do crítico Greil Marcus.

Se o disco e o ensaio interessam sobretudo aos devotos de Dylan, No Direction Home (o filme) tem interesse para todos os que se mantêm atentos à cultura contemporânea. O documentário de Scorsese tem como antecedentes The Last Waltz (1978), sobre o último concerto do grupo The Band, e Feel Like Going Home (2003), um dos episódios da série televisiva The Blues. Seja no estilo de registo directo, seja no âmbito de uma pesquisa arquivística, Scorsese tem sublinhado o enorme impacto da música popular no nosso imaginário, bem como a sua ligação aos eventos históricos. Isso explica que No Direction Home, nas suas três horas e meia, se ocupe apenas de Dylan nos anos 60, ou seja, no período em que esteve intimamente ligado às contestações sociais e às acções políticas.

Ao mesmo tempo que recorta essa época específica, Scorsese desmonta totalmente a mitologia de Dylan como artista ligado a uma agenda política específica, coisa que o próprio tem repetido há décadas. Neste documentário encontramos repetidos exemplos que mostram que o fanhoso do Minnesota foi transformado num ícone colectivo quando ele sempre se viu a si mesmo como um feroz individualista. É evidente que Dylan escreveu algumas das mais acutilantes canções de protesto contra a guerra e contra o racismo. Mas ele sempre partiu de uma apreciação de casos concretos de injustiça e opressão, e nunca pretendeu abraçar nenhuma ideologia nem nenhuma militância (como Joan Baez explica e lamenta).

Há aliás um exemplo significativo em 1963, Dylan não foi admitido num hotel por causa do seu aspecto manhoso. Revoltado, escreveu um ataque contra os "Golias" que marginalizam os rebeldes. E foi essa mesma canção, interpretada depois na marcha sobre Washington de Martin Luther King, que se tornou num hino político. Há muitas ironias assim na biografia de Bob Dylan.


ImprimirImprimirEnviar por EmailEnviar por Email
PartilharPartilhar


Siga-nos em
Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE


RSS


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Quem tem mais culpas na má época do Sporting?

José Eduardo Bettencourt
Paulo Bento
Carlos Carvalhal
Pedro Barbosa
Sá Pinto
Os jogadores
Votar  Ver Resultados




Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Inscreva-se

Inscreva-se

Cartaz

ESPECIAL ELVIS

ESPECIAL ELVIS




Diário de Notícias, 2009 © Todos os direitos reservados | Termos de Uso e Política de Privacidade | Ficha Técnica | Publicidade | Contactos