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ana dias ferreira
Elton John queria uma cerimónia discreta e reservada mas o aparato era inevitável. No primeiro dia em que entrou em vigor, em Inglaterra, a lei que permite a união civil entre casais do mesmo sexo, o seu casamento com o companheiro David Furnish tornou-se o mais mediático dos cerca de 700 que se celebraram ontem em Inglaterra e no País de Gales.
Cerca de 500 admiradores concentraram-se à porta do registo civil de Windsor, onde a cerimónia se realizou - no mesmo local onde, em Abril, o príncipe Carlos se casou com Camilla Parker-Bowles -, para manifestar apoio ao cantor. E foi um Elton John sorridente e de braço dado com o parceiro de há 12 anos que posou para as fotografias e acenou às centenas de apoiantes, mantidos à distância por um cordão policial. À saída, na escadaria do edifício, o músico, de 58 anos, e o canadiano, de 43, foram recebidos pelos amigos com uma chuva de arroz, antes de abandonarem o local num Rolls-Royce preto.
Sobre como correu a cerimónia, Elton John, de casaca preta e gravata cinzenta clara, foi breve "Foi óptima, obrigado."
À cerimónia civil, reservada aos amigos íntimos - foram os pais dos noivos que serviram de testemunhas -, seguiu-se uma recepção na mansão do cantor, também em Windsor, para mais de 700 convidados. Entre eles algumas celebridades, como Donatella Versace, Liz Hurley, Sharon Osbourne, Victoria Beckham e George Michael (que também já anunciou o seu casamento com o companheiro para breve). Com a particularidade de o músico multimilionário ter sugerido que, em vez de presentes, fossem feitas doações para ajudar na luta contra a sida.
Sir Elton John foi assim um dos primeiros a beneficiar da nova lei que legaliza as uniões homossexuais em Inglaterra e que confere aos casais do mesmo sexo praticamente os mesmos direitos adquiridos nos matrimónios heterossexuais, nomeadamente em matéria de emprego, segurança social, pensões, benefícios de herança e de nacionalidade.
A lei em questão tinha sido já aprovada dia 5 de Dezembro no Reino Unido (foi nessa altura que Elton John anunciou que se queria casar logo que fosse permitido), mas, devido aos atrasos na publicação da mesma, só esta semana se realizaram os primeiros casamentos. Na segunda--feira, na Irlanda do Norte, terça na Escócia, e ontem em Inglaterra e no País de Gales.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, dirigiu votos de felicidade aos cerca de 700 novos casais, e declarou-se "confiante" por ter adoptado uma lei que marca uma etapa "moderna e progressista" para o Reino Unido. Recorde-se que este é o quinto país a legalizar as uniões homossexuais, depois da Holanda, Bélgica, Espanha e Canadá.
a lei. Aos olhos da legislação britânica, as uniões homossexuais não são oficialmente vistas como "casamentos", embora sejam reconhecidas legalmente e na verdade se assemelhem a um contrato marital, implicando praticamente os mesmos direitos. A diferença é que o processo é puramente civil e os parceiros não trocam votos.
Nos termos da lei, a união entre casais do mesmo sexo tem de ser registada no notário local (o registo custa 103,50 libras, cerca de 152 euros), num processo civil que atribui reconhecimento legal à sua união. Em caso de desentendimento, os casais ficam ligados pelo mesmo processo de divórcio que o de um casamento tradicional e têm de passar por um processo jurídico para dissolver a sua união.
reacções. O deputado socialista Jack Lang difundiu ontem uma mensagem de felicitações a Elton John onde deseja que "a França possa seguir o caminho britânico o mais rápido possível" e legitimar a união entre as pessoas do mesmo sexo. O deputado sublinhou que a união de Elton John "terá repercussões internacionais e irá encorajar outros países a seguir o exemplo britânico", mostrando ao mesmo tempo que "o direito à feli- cidade pertence a todos".
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