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Francisco Louçã afirmou ontem na Madeira que destituiria Alberto João Jardim da presidência do Governo Regional em caso de graves perturbações no funcionamento das instituições. "Essa é a função do Presidente da República", disse à Lusa o candidato à Presidência da República, sublinhando no entanto que o Chefe do Estado "só deve pôr em causa um Governo perante gravíssimas violações e perante factos concretos que ponham em causa a existência de regras essenciais". Para Louçã, "a destituição é o último recurso com alguém que não cumpre as regras institucionais do respeito pela democracia". E Jardim já esteve muitas vezes "nessa situação, que exigia um puxão de orelhas".
Francisco Louçã lembrou, a propósito, a dissolução do Governo de Pedro Santana Lopes e de Paulo Portas o Presidente da República, Jorge Sampaio, "entendeu que não havia consistência política essencial", disse. "Eu faria exactamente o mesmo", concluiu.
No sábado, no âmbito da sua participação no colóquio internacional "Europa - Todos iguais, todos diferentes", na Torre do Tombo, em Lisboa, Louçã aproveitou para condenar as políticas de imigração defendidas por Cavaco Silva, lamentando que "a direita esteja tão encafuada nos seus preconceitos". Aludindo ao debate que travou na TVI com Cavaco Silva, durante o qual este defendeu algum cuidado na alteração da Lei da Nacionalidade para que os portugueses não se transformem "numa minoria", Louçã afirmou que "por detrás do pensamento de qualquer candidato como Cavaco Silva está o pensamento Manuel Monteiro, um pensamento em que o imigrante é sempre considerado suspeito". Louçã, que defende alterações à lei da nacionalidade para permitir que "quem nasça em Portugal seja português", acusou Cavaco de temer "uma invasão bárbara".
O candidato bloquista criticou ainda Cavaco Silva pela "dificuldade" que tem demonstrado em tomar uma posição clara sobre a guerra no Iraque, não conseguindo dizer se a considera "condenável ou necessária".
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