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por
francisco almeida leite
José Sócrates e Wen Jiabao estabeleceram ontem o objectivo de duplicar as trocas comerciais entre Portugal e a China nos próximos três anos.
Um objectivo ambicioso que os chefes de Governo dos dois países fizeram questão de assinalar após a assinatura da declaração conjunta e de vários acordos bilaterais, no Palácio de Queluz. Na mesma altura, ficou-se a saber que Sócrates foi convidado para ir à China nos primeiros meses de 2006 e que a sugestão foi aceite.
No primeiro dos dois dias da visita do primeiro-ministro chinês a Portugal, os dois países estabeleceram aquilo a que chamam de uma Parceria Estratégica Global, tendo em vista a cooperação em vários domínios. Do diálogo político, à economia, passando pela cultura, educação, tecnologia e justiça. Nesta última área foi firmado um acordo de "Auxílio Judicial em Matéria Penal" e um "Memorando de Cooperação Judicial" entre os ministérios da Justiça dos dois países. Mas o destaque vai sobretudo para o estabelecimento de "consultas políticas regulares" entre Portugal e China, o que implica "a realização de uma visita anual pelos ministros dos Negócios Estrangeiros" ou de outros responsáveis ministeriais.
Ao mesmo tempo que Portugal reitera, na declaração conjunta, "a sua continuada adesão à política de uma só China e opõe-se à adopção de quaisquer acções unilaterais que Taiwan possa empreender", a questão do embargo ao armamento também não foi esquecida. Nestes termos "Portugal manifesta a sua disponibilidade para continuar a trabalhar no seio da União Europeia com vista ao levantamento do embargo de armas da UE à China com base nas conclusões do Conselho Europeu."
Portugal também garantiu reconhecer "os progressos da China no sentido de desenvolver uma economia de mercado" e diz que irá trabalhar "com a Comissão Europeia" para a obtenção do estatuto correspondente. Aliás, e em matéria de mercado, a seguir à assinatura da declaração, Wen Jiabao quebrou o gelo ao dizer que "a China vai abrir o seu mercado a Portugal", reforçando ainda outra ideia a de que o investimento chinês em Portugal é também dirigido a outros países da UE.
Realce para a presença de vários empresários portugueses, que estabeleceram acordos bilaterais com a China, sob a égide de um protocolo de "Protecção Recíproca sobre Investimentos, sobretudo nas áreas das telecomunicações, moldes e inovação tecnológica.
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