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Rádios exigem respeito dos políticos

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marina almeida  

Os directores de informação das rádios TSF, Renascença e Antena 1 criticaram o "manifesto desinteresse" de Cavaco Silva e Mário Soares pelo convite para a realização de dez debates radiofónicos na primeira semana de 2006. Num e-mail enviado a cinco candidaturas presidenciais, escrevem que os ouvintes das três rádios, que representam 60% da população portuguesa, "vão ficar impedidos de escutar o debate de ideias dos candidatos através da rádio".

De acordo com o texto, Cavaco e Soares não deram qualquer resposta, ao passo que Manuel Alegre mostrou-se disponível para os debates se "todos os candidatos" fizessem o mesmo.

As três rádios de informação apresentaram, a 23 de Novembro, um modelo de debates semelhante ao das televisões, a realizar entre 2 e 6 de Janeiro. A proposta contemplava a realização de dez frente-a- -frente, em directo e em prime time.

Sarsfield Cabral, director de Informação da Rádio Renascença, não se mostrou espantado com o desenlace do processo e disse ao DN que deu o assunto por encerrado. Mais crítico, José Fragoso, director da TSF, disse ao DN que "a falta de resposta mostra o desinteresse" e lamentou "a falta de sensibilidade de algumas candidaturas para a rádio como mecanismo de comunicação". João Barreiros, director de Informação da Antena 1, considera que "a rádio exige algum respeito" e alertou "Leiam os números da Marktest com cuidado. Há mais gente a ligar a rádio do que a ligar a televisão."

Fernando Lima, assessor de Cavaco Silva, disse ao DN que esta "foi uma questão que ficou em aberto" numa reunião com todas as candidaturas feita no final da negociação dos debates televisivos. "Havia uma impossibilidade que decorria da data escolhida", disse, assumindo que não fez contactos com as rádios para expor a questão. "O professor privilegia os debates televisivos e o contacto com o público", disse, negando, no entanto, o desinteresse na rádio.

Alfredo Barroso, director de campanha de Mário Soares, disse ao DN que aguardou um contacto pessoal dos directores das rádios, depois do e-mail com a proposta. "A falta de resposta foi por omissão e não deliberada." "Se tivesse havido um encontro poderia ter proposto os debates num período de 15 dias ou com representantes proeminentes dos candidatos", afirma.

Para Pedro Sales, assessor de Francisco Louçã, o silêncio de Soares e Cavaco "é uma forma eufemística de dizer que não aceitam" e que a candidatura de Cavaco Silva se mostrou de imediato indisponível para os debates radiofónicos. "Da nossa parte nunca houve nenhum obstáculo", disse ao DN.

Também Jerónimo de Sousa se mostrou receptivo aos debates nas rádios, tendo António Florêncio, assessor do candidato, mantido "contactos informais" com os directores de informação das rádios nesse sentido.

O DN não conseguiu ouvir em tempo útil a candidatura de Manuel Alegre.


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