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por
ricardo jorge fonseca
A 'pop star' dos mais pequenos
Quando Noddy entrou na sala 1 da Casa da Música, já o espectáculo decorria há alguns minutos, dir-se-ia estarmos perante uma pop star. Uma estridência absoluta de centenas de crianças, que esticavam os braços e o chamavam, com uma ansiedade que recordava aparições públicas de outras mega-estrelas da actualidade. Quanto ao boneco, saído do famoso táxi colorido que sempre o acompanha, abriu efusivamente os braços e gritou "Olááá!", sendo necessário proteger os ouvidos no momento seguinte, quando a jovem plateia devolveu em uníssono aquela saudação.
Este estrondo do primeiro espectáculo Noddy em Portugal (e o primeiro fora de Inglaterra, país natal da personagem) era já previsível, tendo em conta a romaria que se formou junto à Casa da Música, mal começaram a ser vendidos os bilhetes. Com uma fila que se esticou até à Rotunda da Boavista, rapidamente desapareceram os 15 milingressos disponíveis para os espectáculos que se realizaram entre 23 e 27 de Novembro, tendo a Câmara do Porto adquirido duas plateias completas para oferecer a oportunidade a crianças desfavorecidas. No total, estima-se que, entre os espectáculos de Porto e Lisboa (que se iniciam hoje, no Pavilhão Atlântico, com apresentações até 4 de Dezembro), sejam vendidos cerca de 65 mil bilhetes, sendo que o número de espectadores poderá ser superior, contabilizando-se as crianças com menos de três anos.
Preparado desde o início de 2005, o Noddy Live implicou a vinda de dois camiões ingleses, a que se juntaram mais dois portugueses, para transportarem toda a maquinaria necessária ao espectáculo. Também de Inglaterra vieram os actores que deram vida aos bonecos da Cidade dos Brinquedos, apesar das suas vozes pertencerem a conhecidos cantores portugueses. Miguel Ângelo, dos Delfins, empresta a voz ao Orelhas; Miguel Gameiro, dos Pólo Norte, ao Sr. Lei; Rita Reis, das Non Stop, à Dina; enquanto o Noddy recebe a voz deAna Luís.
Riquíssimo em efeitos sonoros e de luz, o espectáculo apresenta-nos mais uma aventura de Noddy na Cidade dos Brinquedos. Há uma máquina do tempo, inventada pelo Sr. Faísca, que é roubada pelos duendes Sonso e Mafarrico, que com ela pretendem arruinar a "feira dos raios de sol", onde abundam as guloseimas e os presentes. Noddy vê-se envolvido na tramóia dos duendes e acaba por ser preso, sendo detido numa curiosa penitenciária em forma de capacete de polícia inglês (os Bobbys). Dividido nos seus sentimentos, o boneco interpela as crianças, pedindo-lhes conselhos sobre o que há-de fazer. E novamente ribombam as suas vozes, atropelando-se em sugestões e em palpites. Um dos trunfos do espectáculo é esta interacção permanente, incitando-se os miúdos a tomar partido e a participarem em coreografias nos momentos musicais. As canções do Noddy são inseridas com frequência, servindo de remate aos diversos quadros da peça. E o cenário vai-se alterando conforme o lugar da acção. Finalmente, após muitos conselhos e trapalhadas (o clima dentro do palco vai mudando ao sabor da vontade dos duendes, e ora chove, ora cai neve), Noddy resolve os seus dilemas e os habitantes da Cidade dos Brinquedos recuperam a máquina do tempo. Os duendes são perdoados e acabam também a festejar a "feira dos raios de sol". E, quando se despedem, há novamente histeria e mais uma vez nos lembramos de um concerto de música pop, com os miúdos desaustinados a pedirem encore.
O sucesso do espectáculo é compreensível pela celebridade do boneco e pela magnífica concepção do cenário, mas segundo Dan Colman, da Lemon (empresa que co-produziu o espectáculo com a Direcção de Educação e Investigação da Casa da Música), o grande segredo do Noddy é representar "valores universais" e apelar ao convívio e ao entendimento. "Os problemas resolvem-se através da comunicação, nunca através da violência, como noutros cartoons."
Noddy
Feito de madeira, é amigo do seu amigo e adora conduzir um táxi vermelho e amarelo, que se faz ouvir com um sonoro "Pii! Pii!". Viaja muitas vezes de avião para visitar lugares distantes do País dos Brinquedos. Está sempre metido em sarilhos, especialmente porque os duendes Sonso e Mafarrico passam os dias a pregar-lhe partidas. Quando fica agitado, abana a cabeça, "accionando" o guizo que tem na ponta do seu chapéu azul.
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