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João fonseca
Os candidatos a Belém "são diferentes, até na linguagem que utilizam, no esforço que fazem e não fazem, para explicarem como vão exercer a sua magistratura", afirma Cavaco Silva, desafiando os adversários a dizerem "como vão, caso sejam eleitos, exercer a magistratura de influência".
Pela sua parte, se chegar à Presidência da República, o antigo primeiro-ministro prometeu, então, "colaborar activamente com o Governo, com a Assembleia da República e com os partidos da oposição, para colocar todos a remar no mesmo sentido". Isto porque, justifica, "é tempo de arregaçar as mangas" e de "deixar divergências externas". Este tem sido, aliás, uma das afirmações mais constantes do seu discurso e uma forma de responder aos que o acusam de querer um reforço dos poderes presidenciais.
Afirmando que conhece bem "as limitações dos poderes do Presidente da República", Cavaco entende, no entanto, que, "na situação actual" do País, o Chefe do Estado "não pode ficar apenas como um moderador, um árbitro da vida nacional, exige-se que seja um agente de desenvolvimento, apoi- ando o Governo e mobilizando a oposição", uma outra ideia recorrente da sua campanha.
Considerando-se, mais uma vez, bem colocado para desempenhar o cargo a que concorre, designadamente, pelo que conhece do País e do estrangeiro, Cavaco Silva afirma-se "com uma vontade firme de afastar o pessimismo", outro dos pressupostos indispensáveis, diz, para o país vencer a crise.
E, no mesmo sentido, alerta para a necessidade de haver estabilidade. "Portugal não pode viver ciclos curtos", não pode ter, "no espaço de um ano, quatro ministros das Finanças", e "três primeiros- -ministros em três anos e meio".
Cavaco Silva, que pede "um esforço para devolver à classe política prestígio e credibilidade", falava, ao final da tarde de ontem, na inauguração da sede da sua candidatura em Coimbra, uma "casa que deve ser de todos, independentemente das suas convicções ideológicas". E a propósito, afirma que "existe muita gente, dos mais variados quadrantes ideológicos, que não se resigna" com a situação do país e está, assim, com a sua candidatura.
Após um almoço com professores universitários -- o candidato dedicou o dia de ontem, em Coimbra, particularmente ao ensino superior, tendo visitado o Pólo II da Universidade, a reitoria e os institutos Pedro Nunes, de Sistemas e Robótica e de Ciência de Engenharia de Materiais e Superfícies -, Cavaco Silva assegurou que, por mais que o "critiquem", por mais que lhe "perguntem", dará sempre a mesma resposta "Sou professor." Até por isso, por ser professor, teve "dificuldade em decidir" candidatar- -se a Belém, confessou, recordando uma história. Assim que deixou a chefia do Governo, regressou, de imediato, à sua universidade e, após a primeira aula, dois alunos brasileiros foram ter com ele, para confirmarem se era "mesmo o Cavaco, se era o que tinha sido primeiro-ministro".
O professor desfez as dúvidas e os dois alunos reagiram considerando que "no Brasil é impensável" um presidente ou governante "voltar a trabalhar".
O ex-primeiro-ministro colocou algumas reservas sobre a generalização desse hábito brasileiro, justificando, depois, a sua atitude com o apego à profissão.
O exercício da função docente ajuda, aliás, a explicar a preocupação do candidato com o ensino superior, com a sua qualidade e internacionalização, com a sua ligação às empresas e com a investigação científica.
E se chegar ao Palácio de Belém, garante ainda, que não deixará de prestar particular atenção a estes aspectos, fundamentais para o futuro do País, como ainda ontem sublinhou.
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