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josé manuel oliveira
pedro correia *
A estratégia de ataques sistemáticos a Cavaco Silva já começava a incomodar muitos socialistas e foi corrigida nos últimos dias. Mas agora, e perante o avolumar das preocupações trazidas pela dificuldade do candidato Mário Soares em "descolar" nas sondagens, outro tema começa a ganhar força entre esta candidatura a necessidade de maior presença e apoio do topo da hierarquia actual socialista, em particular de José Sócrates, e da máquina partidária, na campanha do fundador do partido.
Por enquanto, o assunto ainda é timidamente trazido por algumas vozes dos círculos da candidatura de Mário Soares. Mas já há quem o aborde abertamente. É o caso de Paulo Pedroso "As presidenciais vão ser decididas pelos eleitores que deram a maioria absoluta ao PS no início deste ano. (...) Ninguém pode ignorar que a entourage de Soares está muito distante do PS que António Guterres, Jorge Coelho, António José Seguro, António Costa e José Sócrates protagonizaram sucessivamente há mais de uma década. (...) Em termos práticos, se quisermos ganhar as presidenciais, só resta envolver o PS, a fundo, do topo à base, na campanha de Soares. Sem o PS, Soares, provavelmente, afunda-se", escreveu no seu blogue (ocanhoto.blogspot.com). Um alerta que já foi lembrado no blogue (Super Mário) de apoio a Soares.
Embora entre a candidatura se realce que "o PS apoia Soares" e que Sócrates "tem mostrado empenho", o "perigo" que cada vez mais representa Alegre faz soar as campainhas de alarme.
cavaco. A estratégia seguida por Soares na pré-campanha, designadamente as críticas muito contundentes a Cavaco Silva a um ritmo quase diário, estiveram longe de merecer o aplauso unânime entre os apoiantes. Na sede da candidatura já soaram as primeira críticas, reforçadas pelas sondagens pouco animadoras. Segundo apurou o DN, na própria Comissão Política de Soares a estratégia anti-Cavaco foi contestada. Há quem considere que a radicalização de linguagem adoptada pelo candidato e a forma como transformou o antigo primeiro-ministro social-democrata no seu alvo quase exclusivo poderiam afugentar uma parte considerável dos eleitores moderados, vitais para a eleição de qualquer candidato ao Palácio de Belém.
"Nos últimos dias esses ataques já não se justificaram, sobretudo a partir do momento em que Soares conseguiu o essencial, que era a realização de um debate televisivo com Cavaco", afirmou um responsável da candidatura de Soares, citado pela Lusa.
desistências. Nesta altura, Soares começa a dar sinais de pretender privilegiar sobretudo questões sociais. E fontes socialistas contactadas pelo DN acreditam ainda na possibilidade de existirem desistências à esquerda em favor de Mário Soares, a bem de uma segunda volta nas presidenciais. Isto se "perceberem que, na sequência dos debates televisivos, ele será o candidato da esquerda em melhor posição para derrotar Cavaco Silva".
As mesmas fontes acreditam que Soares "irá melhorar nas sondagens quando começarem os debates nas televisões".
Depois das baterias apontadas a Cavaco e, em seguida, a Alegre, o candidato preferiu ontem, em Odemira e Sines, no Baixo Alentejo, pura e simplesmente ignorar os seus adversários na corrida a Belém, recusando tecer quaisquer comentários políticos. "Não me tirem do meu plano", limitou-se a dizer aos jornalistas, após inaugurar, no Centro de Artes de Sines, a exposição intitulada "Os Olhos Azuis do Mar", da pintora Graça Morais, sua mandatária em Bragança.
Já antes, no final de um almoço num restaurante em Odemira, deixara o aviso "Mais importante do que estar a discutir a política propriamente política é discutir os problemas concretos das pessoas e ver como é possível ajudá- -las. É isso a que chamei desde o início uma 'campanha de proximidade'."
Por outro lado, num jantar realizado na sexta-feira em Portimão, a encerrar uma jornada de pré- -campanha pelo Algarve, o candidato socialista deixou um apelo ao voto a pensar na direita. "Não pretendo cativar. O eleitorado da direita é que vem ter comigo porque percebe realmente que eu sou o Presidente que pode unir Portugal e evitar a grande conflitualidade social."
*Com Maria Henrique Espada
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