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Namoradas de Gaia podem obter perdão de faltas

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fernanda câncio  

As duas alunas da escola António Sérgio, em Gaia, cujo namoro e respectiva expressão de afecto terá gerado uma reacção discriminatória dos funcionários e do conselho executivo, poderão ver as suas faltas às aulas "perdoadas" pelo ministério.

O caso desencadeou um debate nacional, com uma avalanche de notícias e de artigos de opinião "contra" e "a favor" nos media clássicos e na blogosfera.

O perdão das faltas não é confirmado pela directora regional de Educação do Norte, Margarida Elisa Moreira, que também não o desmente "É uma 'não notícia'. Essa possibilidade faz parte do estatuto disciplinar e foi mencionada por mim no âmbito da intervenção da Direcção Regional nesta matéria. Mais que isso não posso dizer." Para esta responsável do Ministério da Educação, "o essencial agora é normalizar a vida daquela escola e daquelas miúdas. Há uma equipa a acompanhar o processo para que as coisas corram nesse sentido".

Quanto a eventuais apuramentos de responsabilidades e procedimentos disciplinares - exigidos por várias associações de defesa dos direitos dos homossexuais, como é caso das Panteras Rosa, que numa carta enviada ontem à ministra da Educação pediam a demissão do conselho executivo - , Elisa Moreira garante que "a matéria está em aberto, mas toda a gente já foi castigada de mais . Não creio que uma intolerância deva ser combatida com outra intolerãncia." Outra intolerância, explica, seria "considerar que o que importa agora é procurar o culpado, em vez de dar apoio". Um apoio que "não tem de ser conivente".

Maria Elisa Moreira, recorde-se, afirmou ao DN, aquando do estalar da polémica, não estar de acordo com certas actuações imputadas ao conselho executivo da escola, considerando algumas como graves, e afirmou o seu propósito de averiguar a verdade. Um propósito que mantém, mesmo se hoje considera que "é fácil perceber o que se passou, mas identificar quem fez e disse o quê é mais difícil. Além disso, se tenho alguma apreciação crítica para fazer, faço-a à escola e não à comunicação social, como se compreende".

Apostada em "que se debata esta questão", Elisa Moreira disponibiliza-se para falar com as associações. E manifesta a sua preocupação com as duas jovens, de 16 e 19 anos, responsabilizando os media pelo excesso de exposição de que elas e a escola foram alvo. "Uma parte do que lhes aconteceu deve-se a essa exposição. Podia-se ter noticiado o caso sem identificar a escola, não aumentarndo o sofrimento em nome da notícia."


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