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por
Luís delgado
Não sou, por princípio, contra a decisão de se fazer o novo aeroporto da Ota, mas tenho sérias dúvidas sobre a sua grandeza, escala e dimensão, para um país como o nosso, mesmo com as projecções fantasiosas do que será o tráfego aéreo no nosso país a partir de 2017.
Calculo que os peritos fizeram essas comparações, mas convém olhar para uma, pelo menos à proporção, a Ota será inúmeras vezes maior do que o aeroporto internacional de Madrid, e isso é um disparate puro.
Os números são estes Barajas, num país com 40 milhões de habitantes, e com ligações internas e externas incomparáveis, recebe actualmente 25 milhões de passageiros por ano, embora com a ampliação do aeroporto, que estará concluída ainda este ano, passe para 70 milhões por ano.
A Ota propõe-se receber 35 milhões de passageiros por ano (é a primeira desproporção, bastando para tal aplicar uma regra de três simples). Mas há mais o aeroporto de Madrid tem agora capacidade para 53 movimentos aéreos por hora, passando depois para 120, e a Ota, no plano, aponta para 75 por hora, entre chegadas e partidas (é outro manifesto exagero quando comparamos os países à escala: 40 milhões de habitantes, e um turismo intenso, que significa uma percentagem elevada de voos nacionais e internacionais, para além das suas ligações a toda a América e Europa. Nem de longe nem de perto é similar ao nosso país). Finalmente, um outro dado: a Ota vai ocupar 14 mil hectares, quase o dobro do que tem Barajas, que está apenas a 13 quilómetros do centro de Madrid. Assim sendo, é óbvio e evidente que há um plano megalómano para a Ota, desproporcionado para o nosso país, hoje e nos próximos 30 anos. Vale ainda a pena, pelo absurdo, fixar uma comparação final: a Ota vai ocupar 14 mil hectares (140 milhões de metros quadrados), enquanto Barajas, já remodelado, tem uma superfície de terminais de apenas 940 mil metros quadrados, e para movimentar 120 milhões de passageiros! Onde está o monstro? Isto não é um país, é um principado das Arábias...
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