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por
paulo baldaia
Cavaco Silva mantém uma confortável vantagem sobre os principais adversários, mas ficou mais longe de ganhar na primeira volta. O candidato apoiado pelo PSD e pelo CDS tinha em Outubro 48,8% dos votos e tem agora 44%, sem contar com os indecisos.
Ainda assim, são mais os entrevistados (46,5%) a considerar que Cavaco obtém a vitória logo no dia 22 de Janeiro do que os que acreditam (38,8%) que os candidatos da esquerda vão obrigar o ex-primeiro-ministro a disputar uma segunda volta. Seja como for, dois terços dos entrevistados (ver caixa) não têm dúvidas de que o próximo Presidente da República será Aníbal Cavaco Silva.
Manuel Alegre mantém-se como o candidato com mais possibilidades de disputar uma eventual segunda volta, tendo subido em relação ao barómetro de Outubro qua- se um ponto percentual. Alegre tem agora 14,6% das intenções de voto, alargando ligeiramente a diferença em relação ao candidato apoiado pelo PS, Mário Soares, que sobe apenas três décimas, para os 10,6%.
À esquerda há uma mudança de posição entre o candidato comunista, Jerónimo de Sousa - sobe ligeiramente para os 4,9% -, e o candidato do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã - está agora em quinto lugar, com 4,6%.
O barómetro (ver ficha técnica) foi realizado já depois de os cinco principais candidatos terem passado pela TVI para serem entrevistados por Constança Cunha e Sá.
menos entusiasmo. Os quase cinco pontos percentuais que perde Cavaco Silva não são inteiramente ganhos pelos seus adversários à esquerda. Louçã também perde 0,7 e os restantes sobem em conjunto, apenas, 1,7 pontos percentuais. Os indecisos passaram de 9,5% em Outubro para 13,3% este mês.
Os indecisos, que sobem em quase todo o país, com especial destaque para o Litoral Norte, descem substancialmente no Grande Porto, onde Cavaco Silva obtém a sua melhor votação com uma subida de 18 pontos percentuais. O mesmo candidato perde cerca de dez pontos no Interior Norte e quase 15 no Litoral Centro.
pouca luta de classes. O barómetro, analisado pelas intenções de voto de acordo com o rendimento dos eleitores, mostra que a luta de classes é uma coisa do passado. Cavaco Silva tem sempre votações superiores a 40%. À esquerda, nas candidaturas de Alegre e Louçã, a estratificação de classe produz um efeito estranho o candidato do Bloco desce para os 2% nas classes alta e muito alta, enquanto o candidato sem partido sobe para os 18%.
A análise do perfil etário dos eleitores mostra, ainda assim, que a idade dos candidatos pode contar na hora de decidir. O mais velho dos candidatos, Mário Soares, tem a sua melhor votação (13,2% ) entre os eleitores com mais de 55 anos e não vai além dos 8,6% entre os que têm menos de 34.O mais novo dos candidatos, Francisco Louçã, vive exactamente o processo inverso, conseguindo entre os eleitores mais novos o dobro (6%) das intenções de voto que tem entre os mais velhos (3%).
socialistas divididos No barómetro de Outubro já tinha ficado claro que a intenção de voto nos partidos para as legislativas não correspondia inteiramente à intenção de votos nos candidatos presidenciais de acordo com os apoios partidários. O estudo deste mês volta a revelar que só o eleitorado social-democrata se mantém fiel ao candidato apoiado pelo seu partido - Cavaco já convenceu 94% dos eleitores que dizem votar PSD.
É entre os eleitores do PS, de onde saíram dois candidatos, que se notam as maiores divisões, sendo que até Cavaco Silva parece ter conquistado 20,1% dos socialistas entrevistados pela Marktest.
Mário Soares, que nesta campanha já garantiu ir fazer o pleno entre o seu eleitorado, tem garantido, apenas, o apoio de 31,3% dos socialistas. Um pouco mais que Manuel Alegre, que sobe para os 28,5%, enquanto 10% se dizem indecisos e 4,5% pretendem votar em Francisco Louçã.
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