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Pedro Sousa TAvares
A generalidade das escolas públicas portuguesas abre portas hoje, apesar da incerteza em relação à adesão dos professores à greve e à manifestação nacional. Os sindicatos que convocaram (e mantiveram) o protesto continuam a apontar para uma grande adesão, acima dos 50%, o que significa um mínimo de 80 mil professores em greve (num universo de cerca de 155 mil), do pré-escolar ao secundário. Oficialmente, o Ministério da Educação (ME) não faz previsões.
Em relação aos alunos afectados é, com os números disponíveis, impossível fazer uma estimativa segura. Segundo dados do Gabinete de Informação e Avaliação do Sistema Educativo (GIASE), relativos ao ano lectivo de 2004/2005, há em Portugal mais de 1,6 milhões de estudantes, matriculados em 12 mil estabelecimentos do ensino público não superior. No entanto, se parece certo que grande parte desses estudantes serão afectados, de alguma forma, pelos protestos, é também previsível que o grau da perturbação seja muito variado. Por outras palavras enquanto alguns alunos terão poucas ou nenhumas aulas, outros poderão ter um dia normal ou com apenas um ou dois "furos".
Na impossibilidade de reunir dados junto de todos os estabelecimentos, o DN fez uma ronda por várias escolas do ensino básico e secundário, de vários pontos do País. As respostas obtidas confirmam a indefinição em torno do impacto das acções de contesta- ção dos professores. Todas as escolas contactadas confirmaram que iriam abrir as portas esta sexta-feira, como se de um dia normal de aulas se tratasse. Mas a esmagadora maioria preferiu não avançar previsões sobre a percentagem de professores que vão efectivamente estar presentes.
O único elemento de uma destas escolas que aceitaram fazer uma estimativa apontou para uma taxa de adesão à greve na ordem dos 50%, com uma grande cisão entre os professores "mais antigos" (dos quadros), que deverão faltar, e os professores "mais novos, contratados", que vão optar por comparecer nas aulas.
Optimismo. O impacto da desconvocação da greve por alguns sindicatos como a Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE), o segundo maior do País, é também difícil de medir. Até porque surgem informações de que alguns professores ligados a estas estruturas vão optar por manter a paralisação (ver texto em baixo).
Mário David Soares, da Fede- ração Nacional dos Professores (Fenprof), reafirmou ontem ao DN a confiança numa "grande adesão". O número de 70 mil profes- sores, que o secretário-geral da Fenprof, Paulo Sucena, considerou na quinta-feira "o mínimo" previsível é para Mário David Soares uma estimativa feita por baixo "Tenho a convicção, pelo que me é relatado, de que será muito superior. Setenta mil são só os filiados na Fenprof."
Recorde-se que outras estruturas participantes, como o Sindicato Nacional e Democrático dos Professores (SINDEP) e a Associação Sindical dos Professores Licenciados (ASPL), apontaram também para uma "grande adesão".
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