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por
João lopes
Ninguém apresentou Madonna. Ela chegou, o espectáculo começou… e, em boa verdade, nunca mais recomeçou. E não terá sido por acaso. O seu Hung Up teve tudo aquilo que os Prémios MTV não souberam ter energia, imaginação e requinte de encenação.
A certa altura, o mestre de cerimónia Borat Sadgyiev (aliás Sacha Baron Cohen), declarou que estava aflito para ir a uma casa de banho. De tal modo que na apresentação que se seguiu, partilhada com Britanny Murphy, ele se manteve em off a produzir sons de muito explícitas actividades intestinais. É verdade que se tratava de apresentar Shakira, mas nem ela nem ninguém merecia ser utilizada como carne para tão devastadora boçalidade. Nenhum artifício, mesmo concebido em nome da nobre causa do entertainment, pode ser confundido com o triunfo da vulgaridade e da irresponsabilidade artística.
Renegando os valores que a fundaram, esta MTV vende "juventude" e "rebeldia" através de uma estética arcaica tudo é tratado como clímax (?) de muitos gritos e poucas ideias, no interior de um evento preguiçosamente formatado, incapaz de gerar diferenças onde cada um possa exprimir a sua singularidade musical.
Alguns, como Robbie Williams ou os Gorillaz, possuem um domínio do palco que lhes permite, pelo menos, não ser sugados pela agitação postiça. O certo é que já há muito tempo não se via tanta pompa pré-fabricada para disfarçar tanta mediocridade televisiva (incluindo erros amadores como lançar legendas antes de ser dito aquilo que estava a ser traduzido).
No início da noite, Borat teve um momento inspirado, dizendo que ia começar… o Festival da Eurovisão! Foi uma excelente ironia, até porque há poucos dias tínhamos visto na RTP o espectáculo comemorativo dos 50 anos do certame, muitíssimo superior às quase três horas de inanidade televisiva que a MTV instalou no Pavilhão Atlântico. E, salvo melhor opinião, não se troca uma France Gall por dez "Shakiras".
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