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Nogueira Pinto diz que Carmona é "manietado" pelo PSD

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susete francisco  

Maria José Nogueira Pinto acusou ontem o presidente da Câmara de Lisboa de ter sido "manietado" pelo PSD, não tendo a independência de que "fez gala" durante a campanha eleitoral. A vereadora eleita pelo CDS respondeu assim ao encerrar das negociações para a formação de uma maioria na câmara da capital - que terminou sem acordo. Um desfecho pelo qual responsabilizou directamente o PSD, que qualificou como um "partido de hesitações".

Afirmando que ficará na câmara como vereadora, sem pelouro, Nogueira Pinto não poupou nas críticas ao processo de negociações. Segundo a dirigente centrista, Carmona Rodrigues comunicou-lhe na última quarta-feira, poucos minutos antes do início da sessão camarária, que "não era útil, oportuno, nem adequado fazer qualquer coligação com o CDS". Para Nogueira Pinto não há dúvidas de que "as negociações foram mais feitas pelo PSD" - "Carmona Rodrigues era apenas o mensageiro" -, até porque a ausência de acordo não se ficou a dever "a qualquer exigência do CDS que não pudesse ser satisfeita".

De acordo com a vereadora, Carmona começou por lhe oferecer o pelouro da Educação, o que Nogueira Pinto recusou. Questionada sobre a área que queria tutelar, apontou então a Acção Social, reclamando a tutela da Gebalis (empresa que faz a gestão dos bairros municipais), considerando que esta é essencial para a "construção de uma rede social de proximidade". "Notei que havia um grande melindre em torno da Gebalis, quem sabe se já a pensar no Conselho de Administração", disse Nogueira Pinto, acrescentando que chegou a dizer a Carmona que "só queria a tutela" e que o PSD poderia nomear a administração. A vereadora garante ter-se disponibilizado para "ouvir qualquer outra proposta", que nunca chegou.

Face a este desfecho, Nogueira Pinto deixa, desde já, um aviso a Carmona "Não vou servir de álibi a uma eventual incapacidade de [Carmona] cumprir 309 promessas nos próximos 180 dias". A vereadora assegura que "não será um obstáculo" ao cumprimento das promessas eleitorais do agora presidente, mas acrescenta também que não dará o seu acordo a "nenhuma megalomania".

Na resposta, o vice-presidente da autarquia, Fontão de Carvalho, desmentiu as acusações de Nogueira Pinto, garantindo que a decisão de não firmar o acordo "cabe inteiramente" a Carmona. Sobre o facto de a oposição estar em maioria no executivo camarário, o número dois fala em procura de consensos e diz acreditar que não existirão "forças de bloqueio".


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