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Céu Neves
Os médicos são os profissionais mais elogiados pelos portugueses, surgindo em primeiro lugar no Barómetro DN/TSF/Marktest, que inclui dez profissões. Em contrapartida, os políticos ocupam o último lugar da tabela, o que vai sendo habitual. Os homens e os eleitores do PSD gostam tanto dos primeiros, como detestam os segundos.
O DN retoma hoje o barómetro mensal das profissões, interrompido em finais de 2000, e que avalia o desempenho (positivo ou negativo) das seguintes profissões advogados, juízes, forças de segurança, militares, médicos, professores, engenheiros, empresários, políticos e jornalistas. A primeira constatação é que os médicos atingiram o topo, quando habitualmente ocupavam o meio da tabela. Trocaram de posição com os jornalistas, embora a diferença que os separa seja de apenas 0,6%.
O bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes, explica a subida dos profissionais que representa pelo seu comportamento "ético" e pela conjuntura política. E justifica os últimos lugares da tabela ocupados pelos políticos e pelos juízes com o facto de serem profissões de grande desgaste a nível da imagem pública.
Pedro Nunes acrescenta que "é preciso ser prudente" na interpretação do barómetro "Os dados têm de ser olhados com responsabilidade e os médicos devem ter um comportamento ético, colocar o doente no centro das atenções e verem-se, não como prestadores de serviços, mas como alguém que obtém tecnologia para esses mesmos doentes."
Independentemente de conjunturas, a realidade é que o desempenho dos políticos tem sido sempre avaliado negativamente. São sobretudo os homens, a população jovem, os simpatizantes do PSD, os residentes no Grande Porto e a classe alta/média alta que têm pior imagem da classe.
Os professores estão em terceiro lugar na avaliação pública, sendo mais apreciados pelas pessoas com idades entre 18 e 34 anos e pelos residentes na Grande Lisboa.
O segundo grupo de preferência, em que a maioria dos inquiridos avaliam positivamente, inclui os militares e as forças de segurança. Não se registam novidades em termos de posições ocupadas em relação aos barómetros anteriores. A estes juntam-se os engenheiros, grupo profissional que surge pela primeira vez no barómetro. As 53,9% respostas positivas devem--se sobretudo às respostas masculinas.
Os juízes continuam a ser sacrificados em termos da avaliação pública do seu desempenho, embora tenham mais do dobro de respostas positivas que os políticos. Os magistrados são mais criticados pelos indivíduos da classe alta/média alta e pelos habitantes na Grande Lisboa. Os advogados, que operam na mesma área, estão também mal colocados, embora quase um quarto das pessoas diga não saber avaliar o desempenho desta profissão, que surge pela primeira vez no Barómetro DN/TSF.
O desconhecimento sobre a actividade está também patente na apreciação dos empresários, que surgem em quarto lugar entre os últimos. E o resultado é o de que apenas dois pontos percentuais separam a avaliação positiva (36,7%) da negativa (38,7%). Os mais críticos vivem no Grande Porto.
Mulheres preferem jornalistas
Sexos
As mulheres fazem avaliações mais positivas das profissões que os homens. Se fossem as únicas inquiridas, os jornalistas estariam em primeiro lugar (69%) e os militares em terceiro (61,6%). Os homens dão o voto aos médicos (70,3%) às forças de segurança (61%), aos professores (66,9%) e aos engenheiros (59,5%).
Idade
Jornalistas (70,4%), militares (61,6%), professores (68,4%), médicos (74,7%) e engenheiros (64,9%) têm mais apreciadores entre os 18 e os 34 anos, grupo particularmente crítico com os políticos (80,1% dá negativa). As forças de segurança (62,1%) são mais elogiadas por quem tem entre 35 e 54 anos, os mesmos que criticam os empresários (47,1%) e os advogados (42,9%).Partidos
A apreciação negativa dos políticos é mais visível no eleitorado do PSD (80,1%) do que no socialista, pouco mais de metade (55,4%) tem esta opinião. O social-democrata é, em geral, mais crítico.
Classes sociais
Os jornalistas (71,5%) e os professores (68,5%) são apreciados pelas classes média baixa e baixa. Já as forças de segurança (61,9%), os médicos (70%) e os engenheiros (61,2%) dominam entre a classe média. A classe alta/média alta é a mais crítica dos juízes (59,7%), políticos (77,8%) e advogados (44,7%).
Amostra. O erro da amostragem, para um intervalo de confiança de 95%, é de 3,45%.
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